segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

ELEIÇÕES 2022 : Quais são as 'armas' dos pré-candidatos à Presidência?

As eleições presidenciais no país estão previstas para outubro do ano que vem, mas os principais pré-candidatos e pré-candidatas já começaram a fazer seus primeiros movimentos de olho na disputa em 2022. Com histórias, perfis e estratégias diferentes, cada um deles tem um conjunto de "armas" que deverá ser usado ao longo do período eleitoral.A BBC News Brasil ouviu os cientistas políticos Sérgio Abranches e Nara Pavão sobre quais são as maiores "armas" ou trunfos que os principais pré-candidatos à Presidência da República deverão usar nas eleições do ano que vem.Além de cientista político, Abranches é sociólogo e escritor. Ele é o autor do conceito de "presidencialismo de coalizão" aplicado à realidade brasileira. Nara Pavão, por sua vez, é doutora

em Ciência Política pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos e professora assistente na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os nomes dos pré-candidatos foram escolhidos com base nos levantamentos mais recentes de duas das principais pesquisas de intenção de voto do país: Datafolha e Ipec, instituto formado por ex-executivos do Ibope.

Apenas nomes que pontuaram em pelo menos um dos cenários pesquisados pelos dois institutos foram considerados nesta reportagem.

Dessa forma, os pré-candidatos escolhidos foram: o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (Podemos), o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), o governador de São Paulo João Doria (PSDB) e a senadora Simone Tebet (MDB-MS).

Confira, agora, quais as principais "armas" de cada um.

Lula

O ex-presidente Lula aparece na liderança das principais pesquisas de intenção de voto feitas até o momento. Segundo Ipec e Datafolha, o petista oscila entre 47% e 49% das intenções de voto, o que seria suficiente, nos dois cenários pesquisados pelos institutos, para a sua vitória no primeiro turno.

Para Sergio Abranches e Nara Pavão, as principais "armas" de Lula na disputa deste ano são: memória sobre o seu governo, favoritismo nas pesquisas, queda da corrupção como principal preocupação do eleitorado, capacidade de negociação e baixa rejeição.

A "memória", segundo Abranches e Nara Pavão, se refere à lembrança que parte dos eleitores teria em relação aos oito anos em que Lula presidiu ao país, entre 2003 e 2011.

No campo econômico, o período foi marcado por crescimento econômico e redução das taxas de desemprego e da pobreza.

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O ex-presidente Lula aparece na liderança das principais pesquisas de intenção de voto feitas até o momento
O ex-presidente Lula aparece na liderança das principais pesquisas de intenção de voto feitas até o momento
Foto: EPA / BBC News Brasil

"Ele tem um recall de um governo muito ajudado pela conjuntura econômica internacional e pelo boom de commodities, mas também pelos programas sociais que geraram um sentimento de bem-estar econômico, que a gente chama de efeito riqueza. Houve uma mudança do patamar de consumo das classes D e E e essa memória dos tempos bons é importante e forte. É um trunfo importante", afirma Abranches.

Nara Pavão, que estuda o efeito da corrupção na escolha do eleitorado, explica que a mudança no eixo das preocupações da população, segundo as pesquisas, indica um outro trunfo do ex-presidente.

Em novembro de 2015, por exemplo, quando a Operação Lava Jato estava a todo vapor, a corrupção era vista como o maior problema da população no país. Em segundo lugar estava a saúde e, em terceiro o desemprego.

A nova pesquisa do Datafolha divulgada na segunda quinzena de dezembro deste ano mostra que a corrupção está em sétimo lugar como maior problema do país. Nos primeiros lugares estão: saúde (1º), desemprego (2º) e economia (3º).

Lula foi alvo da Operação Lava Jato e foi preso após ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo agora ex-juiz federal Sergio Moro no caso do apartamento tríplex, no Guarujá.

Neste ano, suas condenações foram anuladas e Moro foi considerado parcial em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nara Pavão avalia que os desdobramentos da Lava Jato e a crise econômica pela qual o país vem passando ajudaram a mudar a percepção sobre os problemas do país pela população. Segundo ela, essa mudança pode beneficiar Lula.

"O ambiente político mudou. Para a maioria das pessoas, a corrupção não é mais um problema tão urgente. Ela deu lugar a outras preocupações como saúde, desemprego, inflação. E esses são temas com os quais a população associa a imagem de Lula como alguém capaz de resolvê-los", afirmou a pesquisadora.

Jair Bolsonaro

De acordo com as pesquisas mais recentes do Datafolha e do Ipec, Bolsonaro aparece consolidado na segunda posição para as eleições de 2022. Nas duas, Bolsonaro aparece com 22% e 21% das intenções de voto dependendo do cenário.

Na avaliação dos dois cientistas políticos, as principais "armas" de Bolsonaro são: carisma, ser o presidente em exercício e a identificação com o eleitorado conservador.

Apesar de ter visto sua popularidade cair desde que assumiu a presidência, Bolsonaro ainda é visto como um líder carismático pela cientista política Nara Pavão.


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FONTE:TERRA

POSTADA POR GOMESILVEIRA

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