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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fortaleza - Fortaleza participa de pesquisa sobre pessoas que apanharam durante a infância

Uma pesquisa sobre pessoas que apanham na infância foi realizada em Fortaleza e em mais dez capitais do Brasil. Ao todo, os pesquisadores entrevistaram 4 mil pessoas maiores de 16 anos de idade. Os questionários foram aplicados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 2010 e os dados foram divulgados este ano.
De acordo com os resultados, mais de 70% dos entrevistados
apanharam na infância, sendo que 20% do total eram agredidos uma vez por semana ou mais. As cidades que participaram da pesquisa, além de Fortaleza, foram: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Porto Velho e Goiânia.

Pesquisa
Segundo estudo do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP), a exposição à violência durante a infância pode trazer consequências para a vida adulta. De acordo com a pesquisa, quem sofre agressões quando criança tem mais chances de adotar a violência como principal mecanismo de solução de conflitos.

“A criança entende que a violência é uma opção legítima e vai usá-la quando tiver um conflito com colegas da escola, por exemplo. Mas, ao agredir, ela também pode sofrer agressão e se tornar vítima. E isso cresce de forma exponencial ao longo da vida”, disse Nancy Cardia, vice-coordenadora do NEV.

O estudo apontou ainda o aumento das chances de a pessoa reproduzir a violência sofrida no passado contra os próprios filhos, como método de educação. “Isso tem a ver com o tipo de aprendizagem social. Você aprende que educar por meio da agressão física é um instrumento legítimo de educação”, disse Renato Alves, pesquisador do NEV.

Agressões
Os resultados mostraram que os objetos usados com frequência nas punições físicas foram vara, cinto e pedaço de pau, itens mais comuns que a palmada. Embora o estudo não tenha tido o objetivo de orientar as famílias sobre a criação dos filhos, o pesquisador não acredita que aplicar castigos físicos nas crianças é o melhor método para educá-las.“Usar a punição física na educação dos filhos apresenta mais prejuízos que benefícios, tanto para a pessoa que sofre a punição quanto para a sociedade”, disse.

Renato Alves lembra, porém, que ter apanhado na infância não significa que o adulto será violento. “Tudo tem que ser olhado com muito cuidado, porque também tem muita influência do contexto em que a pessoa vive”, ponderou. De acordo com o pesquisador, o indivíduo que conhece, ao longo da vida, outros modelos de referência para lidar com conflitos pode aprender a enfrentar melhor essas situações.






Postada:Gomes Silveira
Fonte:Jangadeiro

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