Contrariado com a cúpula da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde a demissão de Mano Menezes na última sexta-feira, 23, Andrés Sanchez deve deixar o cargo de diretor de seleções, poucos dias depois de completar um ano na função.
Na última sexta-feira, diretor de seleções da CBF foi o encarregado de anunciar a demissão de Mano Menezes ao treinador e à imprensa. Dirigente era contra a troca de treinador
Até ontem, ele esperava só contato com o presidente da CBF, José Maria Marin, para formalizar a sua decisão. Sanchez era homem de confiança do ex-presidente Ricardo Teixeira, que renunciou em março.
Aborrecido com a falta de prestígio no cargo, o dirigente afirmou ter ouvido que Luiz Felipe Scolari já estaria "apalavrado" com a direção da CBF. Mas Sanchez garantiu que não foi comunicado de nada - o que seria, segundo ele, mais um motivo para sua saída.
"Saio triste. A demissão de Mano criou um clima de insegurança na Seleção e achei que deveria ter participado dessa decisão. Fui apenas comunicado pelo Marin e pelo Del Nero (vice-presidente da CBF)", declarou Sánchez, durante visita à Soccerex, feira de negócios de futebol em Copacabana, no Rio.
Para o ex-diretor de seleções, se era para demitir Mano, a decisão deveria ter sido tomada "lá atrás" e não agora, "no momento em que o futebol da Seleção está mais bem organizado". "Está tudo errado", disse.
Ao responder se estaria disposto a concorrer à presidência da CBF na próxima eleição, em 2014, Andrés Sanchez deixou escapar. "É uma ambi... Vou me reciclar, pensar na vida, voltar a trabalhar nas minhas empresas. Não posso falar o que vai acontecer daqui a um ano ou dois".
Não a estrangeiros
O próximo técnico da Seleção Brasileira será alguém que já passou pelo cargo. E não será um estrangeiro. As afirmações do presidente da CBF, José Maria Marin, e de seu vice, Marco Polo Del Nero, reforçam a tendência de que Luiz Felipe Scolari será o escolhido para o cargo.
Os dois cartolas preferem alguém que já tenha sentado no banco de reservas da Seleção. Nesse cenário, nomes como Tite, Abel Braga e Muricy Ramalho perdem força.
Scolari continua afirmando não ter sido procurado por ninguém da CBF. Marin disse que só vai anunciar em janeiro o novo treinador do time. "Até lá, vamos ter tempo para fazer algumas avaliações", disse.
Questionado sobre a possibilidade de contratar o ex-técnico do Barcelona, Josep Guardiola, Marin foi direto. "Acredito nos técnicos brasileiros. Conquistamos cinco títulos com eles. Por isso, dificilmente vamos chamar um estrangeiro", antecipou.
Del Nero presta depoimento à PF
O vice-presidente da CBF e presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) ontem e foi liberado pouco tempo depois.
Oficiais da PF compareceram à casa de Del Nero, por volta das 6 horas de ontem. Foram apreendidos o notebook e o iPod do dirigente, além de documentos.
"Estou absolutamente tranquilo", afirmou Del Nero. "Prestei todos os esclarecimentos necessários e fui liberado", completou ele, que ficou cerca de 30 minutos na sede da PF.
Del Nero negou que o fato seja "relacionado à sua atividade na entidade e de seu escritório de advocacia". "É um assunto particular. Posso garantir que não tem relação com o futebol nem com meu escritório", disse.
O dirigente foi ouvido na operação Durkheim, que prendeu 33 pessoas suspeitas de integrarem duas organizações criminosas: uma especializada na venda de informações sigilosas e outra voltada à prática de crimes contra o sistema financeiro.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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