Brasília A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que fará correição (visita e fiscalização aos estabelecimentos) nas atividades consultivas prestadas às agências reguladoras denunciadas na Operação Porto Seguro, da Polícia Federal - Agência Nacional de Águas (ANA), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A Corregedoria da AGU irá priorizar a análise de documentos ligados a servidores presos ou intimados pela Justiça.
A oposição defende que a ex-chefe de Gabinete da Presidência da República em SP, Rosemary de Noronha, seja convidada a ir ao Congresso
O órgão pretende reformular procedimentos relativos às demandas externas à AGU e suspendeu parecer emitido em nome da União que autorizaria o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM) a não desocupar a Ilha de Cabras, no litoral de São Paulo. Há suspeita de que o documento tenha sido emitido por meio de suborno. Exonerado, o ex-advogado da União adjunto José Weber de Holanda também foi afastado de outras funções.
Oposição
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) defendeu, ontem, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja convidado para explicar 122 contatos telefônicos que teria mantido, nos últimos 19 meses, com Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo.
Rosemary está entre os indiciados na Operação Porto Seguro. A quadrilha fraudava pareceres em troca de propina e agia em diversos órgãos da cúpula do governo federal. Segundo a PF, Rosemary recebia propina e presentes da quadrilha. Em e-mail interceptado pela PF em março, ela escreveu que conversava "todos os dias" com Lula.
"Qual o motivo desses contatos, uma vez que ele (Lula) não estava mais na Presidência?", indagou Sampaio. Além do requerimento para convidar Lula a dar explicações na Câmara, Sampaio também que o Advogado-Geral da União, Luís Adams, compareça ao Congresso.
Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) protocolaram ontem requerimento com o convite para o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) falar à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Para Taques, o envolvimento de Rosemary mostra que houve uma "feira de negociatas". O Diário Oficial da União (DOU) de ontem confirmou as exonerações de Rosemary e de José Weber.
Eduardo descarta ida de Rosemary ao Congresso
Brasília O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse ontem não ver motivos para que a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Novoa Noronha, fale na Câmara dos Deputados e no Senado sobre o esquema desmontado pela Operação Porto Seguro.
A ordem entre os governistas é evitar a aprovação de requerimentos da oposição que convidam a servidora a depor. A estratégia dos aliados do governo será aprovar convite aos ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia Geral da União) para falar da operação. A manobra tem como objetivo tirar a servidora da Presidência do foco, deixando para os ministros a responsabilidade pelas explicações do caso.
Sem propina
Delator do esquema de compra de laudos, o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Cyonil da Cunha Borges de Farias Júnior, negou que tenha aceitado inicialmente R$ 100 mil em propina e depois se arrependido, como divulgado pela PF.
Cyonil relata que o suposto corruptor (Paulo Vieira) o "caçou" pela cidade, e com isso chegou a mudar de endereço para não ser encontrado. Diz ainda que sofreu paralisia facial ao longo do processo e que a denúncia afetou sua vida pessoal.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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