Atuação da Polícia Federal teve desdobramentos na AGU e no gabinete da Presidência em SP
Brasília O ministro-chefe da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams, disse ontem que, caso não exista mais confiança por parte da presidente Dilma Rousseff na continuidade dele no cargo, caberá a ela retirá-lo da função. Adams admitiu que chamou José Weber de Holanda para o cargo de advogado-geral adjunto mesmo sabendo de investigação contra o auxiliar por supostas irregularidades cometidas em cargos anteriores.
Adams admitiu que sabia que Weber, ex- adjunto, já era investigado por outras irregularidades
Adams afirmou que a credibilidade da AGU está em jogo. Weber foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro, que investiga o comércio de pareceres técnicos e jurídicos, inclusive na própria AGU.
Adams esteve no Palácio do Planalto para participar de audiência com a presidente Dilma ontem. "A presidenta pediu para eu apurar e punir os responsáveis", disse Adams, para reiterar logo depois: "A minha relação com a presidente é profissional. Se ela não tiver mais confiança profissional, ela me tira".
O pagamento de propina para ocupação das ilhas das Cabras e Bagres, em SP, é objeto de investigação da PF. Adams assinou parecer que endossa os supostos interesses escusos de Weber.
Servidores da AGU fizeram ontem manifestação em frente ao órgão, em Brasília, para pedir o afastamento de Adams do cargo para que seja apurado se ele sabia das ações de Weber. "O escândalo demonstra o equívoco da gestão dele na AGU. A concepção dele é de uma advocacia de governo e não da defesa da União", disse Allan Titonelli, presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.
Rosemary
A ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha divulgou nota ontem em que nega as acusações da Polícia Federal. "Enquanto trabalhei para o PT ou para a Presidência da República, nunca fiz nada ilegal, imoral ou irregular que tenha favorecido o ex-ministro José Dirceu ou o ex-presidente Lula em função do cargo que desempenhavam", diz Rosemary. Na sexta-feira, ela foi indiciada pela PF. Segundo interceptações telefônicas, Rose operava valendo-se de sua influência no governo federal.
Secretaria não participa de esquema, diz Leônidas
Brasília. O ministro-chefe da Secretaria de Portos (SEP), o cearense Leônidas Cristino, disse que sua pasta negou o pedido feito por integrantes do esquema flagrado pela Polícia Federal na operação Porto Seguro.
Conversas interceptadas do diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira, apontado como chefe do esquema, com o ex-senador Gilberto Miranda, revelam que o grupo tinha interesse em regularizar um empreendimento portuário na área de Santos (SP) chamado Complexo Bagres.
Para tanto, reuniu-se com o número dois da SEP, Mário Lima Júnior, secretário executivo.
Vieira e Miranda queriam que a área onde o empreendimento será instalado fosse considerada de interesse público, requisito necessário para o licenciamento ambiental do projeto, pois a intenção é instalá-lo em uma área de mata atlântica. Segundo Cristino, o pedido foi negado porque o assunto não é da competência da SEP, e sim da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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