O atacante matou a saudade na trave onde marcou o gol de reforma do Vovozão Foto: Fabiane de Paula
Um goleador que marcou época no Ceará, ao lado de Ramon e Ademir Patrício. "Juntos na temporada, em 1982, marcamos 120 gols com a camisa do Ceará, mas não ganhamos o Estadual daquele ano", relembra o atacante.
Wolney vem de uma safra de bons jogadores de Limeira, como Lê, que foi campeão paulista pelo São Paulo; Zé Maria, lateral-direito de vários clubes paulistas, entre outros.
A paixão pelo futebol fez Wolney Dias dar os seus primeiros passos no Esporte Clube Estudantes de Limeira. Adailton Ladeira, ex-jogador do Bangu, o levou para o Guarani de Campinas, onde seria construída a carreira de um goleador nato.
"Minha base foi toda do Guarani, da época de jogadores como Amaral; Cleiton; e Washington, lateral-esquerdo que jogou na Seleção Brasileira e marcou época no São Paulo; além de vários outros", explicou.
Wolney estreou profissionalmente no Campeonato Brasileiro de 1973 pelo Guarani/SP. Na época, chegou a jogar contra Pelé. "Num jogo contra o Santos, fiz 1x0 e o Pelé empatou. O Cláudio Adão até atuou nesse jogo", relembra.
Extinto
Nos anos 1980, jogador marcou época no Alvinegro, compondo ataque de 120 gols FOTO: ARQUIVO
O atacante Wolney ficou nos anos de 1975, 1976 e 1977 no Santa Cruz, onde atuou com Givanildo Oliveira e Levir Culpi, hoje técnicos famosos. Após jogar pelo Itabuna/BA, Wolney foi para a Ferroviária de Araraquara, pela qual atuou ao lado do zagueiro Vica, hoje treinador do Fortaleza, e de Dorival Júnior, técnico do Flamengo.
Vários clubes
Após Ferroviária, vários clubes passaram pela carreira do antigo atacante alvinegro, como Comercial de Ribeirão Preto e Grêmio de Maringá. Nessa época, em 1981, o técnico Lula Pereira estava no Ceará e indicou Wolney. O próprio Dimas Filgueiras foi buscar Wolney pessoalmente em Ribeirão Preto.
Após ter sido campeão paraibano pelo Treze/PB, em 1983, para onde foi por empréstimo, Wolney retornou para o Ceará, onde disputou o Brasileiro de 1985, na Primeira Divisão, onde o Alvinegro ficou na sétima posição, à frente de muitos grandes.
Wolney foi auxiliar técnico de Argeu dos Santos no Ferroviário.Foi várias vezes campeão de times sub-16, sub-17 e sub-20. Foi campeão cearense da Terceira Divisão pelo Caucaia, em 2009. De lá para cá, ele não arranjou mais clube para treinar e aguarda um convite de qualquer clube da Segunda ou Terceira Divisão para recomeçar o seu trabalho.
Poucas chances
Wolney lamenta o fato de estar sem trabalhar no futebol desde 2009. "Os dirigentes sempre contratam as mesmas pessoas para a segunda e a terceira Divisão. Acho que deveriam dar chances aos outros. Existem muitos técnicos formados pela Agap (Associação de Garantia ao Atleta Profissional) que necessitam é de uma oportunidade. Eu não gosto de ficar ligando para dirigentes. Eu entendo que eles devem dar uma chance pelo que a pessoa já fez", cobra o ex-jogador.
O goleirão que virou professor
Cícero Capacete, o primeiro da esquerda para a direita, de pé, no América/RN, junto com Joel Santana, o terceiro, de pé FOTO: FABIANE DE PAULA/REPRODUÇÃO
O cabelão "black power", que era moda na época, fez o cronista esportivo Júlio Sales o apelidar de Cícero Capacete. O codinome pegou e, até hoje, mesmo tendo encerrado a carreira aos 37 anos, ele é conhecido assim.
Cícero não foi um goleiro qualquer. No ano de 1969, por exemplo, ele se sagrou campeão de aspirante, campeão profissional e vice-campeão da Taça Brasil, tudo isso pelo Fortaleza. Em 1970, foi campeão do Norte e Nordeste e, em 1973 e 1974, sagrou-se bicampeão pelo Leão.
Só os títulos serviriam como cartão de apresentação do goleiro que buscava tempo nas concentrações para sair, com autorização dos clubes, em busca de estudar e garantir um futuro, quando parasse de jogar.
"Isso vem muito dos meus pais, que me aconselhavam a estar sempre estudando para não atrapalhar o futuro, quando encerrasse a carreira. Fiz como eles mandaram e valeu a pena", comenta o ex-goleiro.
Estudo e bola
No momento atual, Cícero dá aulas de futebol em várias instituições, entre elas a Sefaz. Já trabalhou também na Caixa Econômica FOTO: FABIANE DE PAULA
Cícero jogou no Fortaleza até 1976, quando aproveitou para concluir o curso de Educação Física. Fez também Fisioterapia, mas não chegou a concluir o curso, devido às atividades daquele momento no futebol.
No Fortaleza mesmo, o atleta foi observando os exemplos de outros jogadores que tinham preocupação com o futuro. Esse mesmo interesse acompanhou Cícero Capacete quando atuou pelo Ceará.
Em 1979, o goleiro foi campeão pelo Ferroviário, na vitória sobre o Ceará. Na ocasião, Cícero teve em campo o maior desempenho que um goleiro mostrou até aquele ano.
O jogador aproveitava o tempo livre das concentrações para solicitar às comissões técnicas para ir estudar na faculdade. Durante anos, ele travou um duelo interessante com o também ex-goleiro Lulinha, para ver quem será o titular.
Novas funções
Hoje, Cícero dirige o time de futebol da Sefaz, dá aula no Colégio 7 de Setembro e está aposentado como professor de educação física do Estado, além de ter trabalhado no Clube da Caixa. É casado com Norma, com quem teve a filha Norma Juliana e os filhos Cícero Júnior e Cícero Jorge, este falecido. Ele participa também da diretoria da Associação de Garantia ao Atleta Profissional (Agap), procurando ajudar outros ex-atletas.
FIQUE POR DENTRO
Desde o primeiro domingo do mês de novembro, o caderno Jogada, do Diário do Nordeste, vem publicando a série especial "Vencedores e vencidos", que mostra, todos os fins de semana, como os craques do passado do futebol cearense vivem na atualidade.
Na primeira reportagem, contamos as histórias do ex-zagueiro Ivan Limeira – que sofre as sequelas de um AVC – e do ex-volante Solimar – hoje dono de um restaurante -, que passaram pelos três grandes clubes da Capital: Ceará, Fortaleza e Ferroviário.
No segundo domingo, o leitor ficou sabendo que Gera, ex-craque dos gramados e do futebol de salão, é dono de um lava-jato, e do ex-lateral-direito Expedito, que trabalha em uma galeteria como entregador. Ambos foram destaque pelo Fortaleza.
No dia 18 de novembro, contamos a história do ex-ponta Silas, que trabalha como pintor, após brilhar no Botafogo/RJ, em 1996, ao lado do atacante Túlio Maravilha; e do ex-zagueiro do Alvinegro Mauro Calixto, que curte a aposentadoria após ganhar a vida como advogado e professor.
No domingo passado, foi a vez do ex-zagueiro Celso Gavião, campeão por Ferrão e Fortaleza, e que teve como maior glória o título mundial pelo Porto/PE, contar sua vida: ele preside a Associação de Garantia ao Atleta Profissional. Além dele, o ex-ponta Babá, que jogou no Ceará, revelou que hoje vende bombons e salgados.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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