O lado azul de Porto Alegre (RS) terá um dia especial pela frente neste domingo. É que o Grêmio faz hoje seu último jogo no estádio Olímpico, casa do Tricolor gaúcho há 58 anos. Erguido em 1954, o prédio será demolido e o time terá uma nova casa em 2013, sua novíssima Arena. No Olímpico, o "Imortal" atuou em 1763 jogos, sendo que uma destas partidas, marcou não só a história do time gaúcho com mais um título nacional, como também a de um certo Ceará Sporting Club.
O Ceará chegou a decisão da Copa do Brasil em 1994 após deixar pelo caminho Palmeiras e Internacional, mas na finalíssima com o Grêmio, o Vovô, embora tenha feito dois jogos parelhos, perdeu o título no Olímpico
O ano era 1994 e o Vovô entrava em campo no dia 10 de agosto para decidir com o Grêmio o título da Copa do Brasil. Com um 0 a 0 no primeiro jogo da final, no Castelão, o confronto chegava ao imponente estádio gremista em aberto: qualquer empate com gols daria o título nacional inédito ao Ceará e uma vaga - também inédita - na Copa Libertadores de 1995.
As 49.263 pessoas que lotaram o Olímpico naquele dia presenciaram uma decisão tensa e muito disputada, vencida pelo Grêmio por 1 a 0, gol de Nildo aos três minutos do primeiro tempo - ele que jogaria no Alvinegro em 1997. Pelo lado do Vovô, o onipresente técnico Dimas Filgueiras, pelo gremista, Luiz Felipe Scolari, atual técnico da Seleção Brasileira.
O aguerrido time Alvinegro, tinha em suas fileiras o goleiro Chico, o zagueiro Aírton, o volante Mastrillo, o meia Elói e atacante Sérgio Alves.
Reminiscências
O técnico se refere a um lance aos 31 do 2º tempo, quando o zagueiro Paulão derrubou o alvinegro Sérgio Alves na área, lance ignorado pelo árbitro Oscar Roberto de Godoy, que ainda expulsou o atleta do Vovô.
O goleiro do Ceará naquela partida, Chico, que é gaúcho e cria do Grêmio, relata a reação da torcida no momento do lance. "No momento do pênalti do Paulão, o estádio todo silenciou. Foi uma coisa mórbida, um silêncio sepulcral, porque todos tinham convicção que o pênalti seria marcado. Só ao notarem que o árbitro não assinalou, os gremistas comemoraram como um gol", declarou o hoje preparador de goleiros do Ceará.
Sonho
A não marcação da penalidade foi bastante lamentada pelos alvinegros, que teriam a chance de empatar a partida em 1 a 1, placar que daria o título ao Vovô.
"Quando ficamos sabendo que o jogo final seria lá, já me imaginei erguendo a taça, dando a volta olímpica. É natural. Quem chega em uma final sonha com isso. E por pouco o Ceará não fez história lá".
O goleiro Chico queria muito o título para provar ao time que o revelou que poderia vencer longe do Olímpico. "Sou gaúcho, joguei dez anos ali, treinava demais no estádio. Naquela decisão, eu era jovem e tinha um sentimento de provação. Ao subir para o gramado, queria provar que podia ser campeão".
Com a perda do título, o Ceará teve como consolação, a participação em 1995 na extinta Copa Conmebol. Mas, para os que jogaram a Copa do Brasil de 94, o sentimento é de reconhecimento. "A torcida nos recebeu carinhosamente pelo que fizemos. Ela reconheceu o feito e até hoje reverencia os que participaram da campanha", lembra Dimas.
E Chico completa. "Até hoje, nos jogos no PV, quando a torcida nos encontra, nos parabeniza, lembra daquela campanha, daqueles jogos. Queríamos o título, mas ficamos eternizados".
Gre-Nal marca o adeus do estádio
Nada mais simbólico para a história do estádio Olímpico que ter um Gre-Nal como seu último jogo oficial. Hoje, Grêmio e Internacional duelam pela 394ª vez - a 123ª no principal palco gremista, o estádio que mais vezes recebeu o clássico do Rio Grande do Sul até hoje. A partida, que começa às 16h (cearense) fecha a participação dos dois times gaúchos no Brasileirão e vale, para o Tricolor, o vice nacional.
De mudança para a Arena, que promete ser o estádio mais moderno da América Latina, o Grêmio vive dias de euforia. Além da mudança de endereço, o Tricolor já projeta o ano de 2013 em seu estádio novo com a garantia de participar da Copa Libertadores da América.
Mesmo assim, ainda restam dois objetivos: o de fechar a história do Olímpico com uma vitória sobre o maior rival e o de garantir o vice-campeonato, que dará vaga direta à fase de grupos da Libertadores e a certeza de um calendário menos corrido no começo do ano que vem.
Para terminar o Brasileirão em segundo lugar, o Grêmio precisa vencer o Internacional ou torcer para que o Atlético/MG não derrote o Cruzeiro. Qualquer uma destas combinações dá ao Tricolor o vice. Atualmente, o time de Vanderlei Luxemburgo tem 70 pontos, contra 69 do Galo. Ambos estão garantidos na Copa Libertadores 2013.
O jogo de hoje será o último oficial da história do Olímpico, mas o Grêmio ainda deve realizar um amistoso em 2013 para se despedir do estádio Foto: Folha press
Mesmo estando 19 pontos à frente do Internacional na tabela, o Grêmio tem alguns problemas. A dupla de ataque titular, por exemplo, está fora da partida. Kleber foi operado de uma lesão no tornozelo. Já Marcelo Moreno foi punido pelo pleno do STJD e está fora do clássico.
Fora de qualquer briga na tabela, o Inter tem como meta estragar a festa gremista de despedida do Olímpico.
"O torcedor sempre cobra vitórias, e o Gre-Nal é um motivo a mais. A gente precisa reconhecer que está devendo, mas estamos fazendo de tudo para chegar da melhor maneira possível ao clássico. Não vai ser fácil", admite o meia D´Alessandro.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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