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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CASSAÇÃO - Após liminar do TSE, Carlomano volta à Assembleia e prega inocência com performance teatral




O peemedebista - que comemora hoje 59 anos - beijou a tribuna da Casa, ganhou abraço da filha em pleno discurso e recitou poema do jornalista
Inspirado em gesto do Papa João Paulo II, Carlomano Marques beijou tribuna da Assembleia
 
Após ter conquistado uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que mantém seu mandato, o deputado Carlomano Marques (PMDB) retornou à Assembleia Legislativa nesta terça-feira, 19, para, novamente, se defender da condenação por captação ilítica de votos. A volta foi recheada de simbolismos. Logo de início, beijou a tribuna da Casa, num gesto semelhante ao do Papa João Paulo II, que costumava beijar o chão dos lugares por onde passava.

“Esta tribuna é a minha vida. Representa toda a carga de emoção de um menino de classe média que atravessou a vida inteira pra chegar aqui”, afirmou o peemedebista, dando ares teatrais à sua performance parlamentar. Em seguida, o deputado - que nesta terça-feira comemora 59 anos - ganhou um beijo e um abraço da filha Ana Carolina Marques, que acompanhou todo o discurso do pai. A esposa do deputado, Socorro Macêdo, também esteve no plenário.

Por mais de uma hora e meia, Carlomano Marques apresentou argumentos que comprovariam sua inocência diante do flagrante noticiado pelo O POVO em setembro de 2010. A reportagem, escrita pelo repórter André Teixera, mostrou que a irmã do parlamentar, vereadora Magaly Marques (PMDB), prestava atendimentos médicos no comitê de campanha do então candidato à reeleição. No caso específico, consultou André, que realmente estava com problema de saúde, deu-lhe atestado médico e o encaminhou para um especialista. Em seguida, pediu voto para o irmão. Toda a conversa foi gravada, e serviu de base para a condenação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE), no final do ano passado.

Segundo Carlomano, no dia deste episódio ele estava em Aracati, participando de uma audiência da Câmara Municipal. O peemedebista confirma que Magaly atendeu ao repórter, mas que foi condicionada a pedir voto, depois que André teria solicitado um atestado e questionado quem era a pessoa em cartaz colado na parede. No caso, o próprio Carlomano. Magaly então deu-lhe um santinho do candidato e afirmou: "Pois tá aí. Vote no homem".

Baseado na teoria do "fruto da árvore envenenada", o deputado defendeu que não tratou-se de captação ilícita de votos, já que a prova teria sido "forjada". "O repórter se fez que estava doente e foi atrás de Magaly para criar um flagrante", acusou Carlomano. Ao mesmo tempo, disse que não "guarda ódio" por ele. "O repórter não esperava que aquele ato - não de mau-caratismo, mas de inexperiência -, tivesse as consquências que teve", afirmou o parlamentar, que se diz humilhado diante dos desdobramentos do fato e que foi alvo de uma "emboscada". Por isso, ele espera que o TSE julgue rapidamento o mérito do processo que trata da cassação de seu diploma.

"Um: não tem crime eleitoral porque eu não comprei voto. Dois: não houve captação ilícita de voto porque o ato médico foi concluído e só depois veio a conversa política. E três: a prova é ilítica", defendeu. Em seguida, bradou: "Vou a Brasília agora porque quero que julgue o mérito logo. Não tem essa de empurrar com a barrga para se salvar. Nada disso! Eu quero é o mérito, para eu não ficar sendo humilhado todo dia, as pessoas dizendo que eu tô escondido atrás de uma liminar, pendurado numa liminar".

Para finalizar o longo discurso, beijou novamente a tribuna da Assembleia e recitou trechos de uma poesia escrita pelo jornalista Demócrito Rocha, fundador do O POVO:

"O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta
por onde escorre
e se perde
o sangue do Ceará.
O mar não se tinge de vermelho
porque o sangue do Ceará
é azul ..."

(...)

Ninguém o escuta, ninguém o escuta
e o gigante dobra a cabeça sobre o peito
enorme,
e o gigante curva os joelhos no pó
da terra calcinada,
e
— nos últimos arrancos — vai
morrendo e resistindo
morrendo e resistindo
morrendo e resistindo".
 
Postada:Gomes Silveira
Fonte:O Povo

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