Embora ainda não tenham sofrido todas as alterações anunciadas pelo prefeito Roberto Cláudio, as secretarias regionais (SERs) de Fortaleza começam a adotar mudanças na metodologia de trabalho. Após a criação de uma coordenadoria liderada pelo vice-prefeito Gaudêncio Lucena para integrar as pastas ao poder central e agilizar obras, secretários regionais promovem reuniões semanais para informar balanços das demandas dos bairros. Para Gaudêncio, este momento ainda é de adaptação e planejamento para viabilizar mudanças mais consistentes.
Logo após ser eleito, o prefeito Roberto Cláudio anunciou a pretensão de mudar o papel e a distribuição das Regionais na Capital. Atualmente, a cidade tem sete pastas que atuam como subprefeituras. Com exceção da secretaria do Centro, as demais comportam de 15 a 29 bairros. A ideia do prefeito é tornar as regionais mais autônomas. Além disso, o gestor admite criar uma nova pasta, considerando o inchaço de algumas regiões.
Segundo Gaudêncio Lucena, até o momento, as mudanças nas regionais envolvem apenas gestores e métodos de trabalho, pois a Prefeitura ainda está analisando a estrutura das SERs V e VI para decidir sobre a criação de uma nova secretaria. "Em cada regional, temos coordenadorias de saúde, educação, etc. São muitos serviços que ela presta e, quando se tem um espaço territorial muito grande, dificulta o atendimento da população em todos os serviços", declara, acrescentando que ainda não há um prazo estabelecido para isso.
Dentre as alterações em curso, está o trabalho de integração das regionais. "Normalmente, uma obra realizada em determinada área ocupa mais de uma SER e temos, principalmente em obras de infraestrutura, complexidades em relação a Cagece, Coelce, Secretaria de Meio Ambiente. Essa integração é para evitar as divergências e dificuldades que existiam no relacionamento entre esses órgãos e os também transtornos e o atraso de obras", explica Gaudêncio.
Na prática, aponta a titular da SER III, Maria de Fátima Vasconcelos, a nova administração está dando continuidade a processos iniciados pela ex-prefeita Luizianne Lins. Segundo ela, por determinação do prefeito, as regionais estão realizando uma série de forças-tarefa no sentindo de prevenir problemas para a comunidade, como limpeza das ruas e ações para evitar a dengue, e mapear a situação de cada região da cidade.
Relatórios
A novidade, destaca, é a produção de relatórios sobre os equipamentos públicos nos bairros. "Estamos preparando levantamento dos postos de saúde para a reforma de todos eles. Cada regional está fazendo também um levantamento da necessidade de obras nos seus bairros. Por exemplo, na educação, está em curso a avaliação das escolas, ver quais as que trazem riscos para as crianças. Estamos ainda tentando conhecer a situação dos equipamentos e já dando solução", diz Maria de Fátima.
Além das reuniões com o vice-prefeito, Maria de Fátima diz que os secretários regionais têm se encontrado periodicamente com Roberto Cláudio. Para ela, essa metodologia dá mais segurança ao trabalho dos titulares das regionais. "Sabemos onde buscar apoio e está todo mundo integrado", aponta. Maria de Fátima afirma que os maiores desafios das SERs, neste momento, consiste em organizar a administração das pastas, se inteirar dos contratos terceirizados e corresponder às forças-tarefa demandadas pela Prefeitura.
"O primeiro levantamento que a gente fez foi sobre a necessidade de limpeza das ruas e recuperação da malha viária. A gente está dimensionando para preparar uma licitação rápida para isso. Tem também a questão dos postos de saúde e a preparação das licitações para construir as policlínicas. Estamos procurando terreno porque isso é o secretário regional que faz, já que está na ponta. Então, tem a licitação para as reformas demandadas e a preparação para as construções que o prefeito planejou", explica.
Na avaliação de Gaudêncio Lucena, os mais maiores desafios enfrentados pelas regionais se referem à área da saúde e da educação. Segundo ele, a secretária Socorro Martins deverá realizar convênio com uma instituição para gerenciar tanto os postos de saúde quanto os hospitais com o objetivo de colocar profissionais técnicos e sem envolvimento com políticos. "Vai ser diferente do IDGS, que é mero administrador de mão de obra para a prestação de serviços. Esse novo instituto vai dar agilidade ao trabalho, as pessoas que vão estar lá não terão interferência de políticos", diz o vice-prefeito.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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