A renúncia do Papa Bento XVI
desperta, de imediato, especulações sobre quem será o próximo "sucessor
do apóstolo Pedro", líder da Igreja Católica Apostólica Romana. Nas
discussões informais em Roma, quem encabeça a lista dos papáveis
atualmente é o cardeal italiano Angelo Scola, da arquidiocese de Milão,
uma das mais importantes da Itália. A lista dos nomes considerados traz
ainda outros representantes da Europa, Canadá, Estados Unidos e também
da América Latina - entre eles, o brasileiro Odilo Pedro Scherer,
arcebispo de São Paulo.
Embora não existam pré-requisitos
oficiais para ser um "papabile" ("papável"), há mais de 600 anos eles
elegem entre si o novo Papa. Atualmente, existem 119 cardeais eleitores,
isto é, com menos de 80 anos e que podem votar. Durante o período de
transição, quem administra a Igreja é o colégio de cardeais,
especialmente na figura do "camerlengo", o responsável pelos bens da
Cidade do Vaticano. Trata-se do Secretário de Estado, o "número dois" do
Vaticano, atualmente o cardeal italiano Tarciso Bertone.
Pela
proximidade com o Papa, Bertone é um dos candidatos naturais para
suceder Bento XVI, embora neste momento não seja o favorito. Sua função
envolve grande autoridade política e diplomática e, por isso, ele
conhece bem o funcionamento do Vaticano.
O favorito Angelo
Scola, da arquidiocese de Milão, uma das mais importantes da Itália, é
especialista em antropologia teológica e muito alinhado a Bento XVI, o
que é visto como uma qualidade. Ambos são pensadores católicos. Scola é
mais extrovertido e carismático do que Ratzinger. É muito aclamado em
Milão e, portanto, está acostumado com multidões.
Seus fãs
dizem que Scola mistura a autoconfiança de João Paulo II com a
intelectualidade de Bento XVI. Ele tem 71 anos, idade que lhe confere
ampla experiência como religioso, bispo e administrador, sinalizando que
seu pontificado duraria até 20 anos - seria mais longo do que o de
Bento XVI, Papa por apenas sete anos. Porém, é justamente a idade que
pode tirar votos de Scola: alguns cardeais querem um papado mais longo.
Há
também outros italianos entre os favoritos, como o cardeal Gianfranco
Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, de 70 anos, um
intelectual renomado em diversas áreas, como teologia, arte, ciências e
filosofia.
Mas a vivência internacional que falta para
Ravasi sobra para o cardeal canadense Marc Ouellet, de 68 anos, prefeito
da Congregação para os Bispos e um discípulo intelectual de Bento XVI.
Embora seja canadense, já viveu também na Áustria, na Alemanha e na
Colômbia, o que é visto como uma grande qualidade para o papado. Se
eleito, ele será o primeiro Papa das Américas.
Brasileiros
O
brasileiro Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, não é
considerado um favorito, mas sua eleição tampouco seria uma surpresa.
Scherer lidera a mais importante arquidiocese do Brasil - país com maior
número de católicos - e uma das maiores da América Latina. Isso atribui
a ele grande visibilidade e experiência pastoral. O cardeal brasileiro
também tem ampla vivência em Roma, onde trabalhou e estudou por sete
anos. Com 63 anos, seria esperado do eventual Papa brasileiro um longo
pontificado.
Entre os papáveis não europeus, há ainda pelo
menos três latino-americanos: além do brasileiro Odilo Pedro Scherer,
arcebispo de São Paulo, figuram um argentino e um hondurenho. Outros
nomes estão na lista dos papáveis, mas com menor probabilidade de
eleição.
Aspectos
Segundo observadores
do Vaticano - jornalistas, religiosos, acadêmicos e diplomatas - entre
os papáveis há cardeais que ocupam cargos importantes na cúria romana e
outros mais afastados, mas a escolha sempre pode surpreender. O cardeal
Joseph Ratzinger era um papável e, de fato, se tornou Bento XVI. Mas seu
antecessor, João Paulo II, era um jovem desconhecido, cujo nome, Karol
Wojtyla, os cardeais mal sabiam pronunciar.
De qualquer
forma, o perfil do Papa eleito deve sinalizar qual é o rumo que os
cardeais pretendem dar à Igreja Católica nos próximos anos. Eles devem
avaliar ao menos cinco aspectos principais na escolha do novo pontífice:
idade, que ajuda a estimar quanto tempo deve durar o pontificado;
experiência pastoral e fidelidade ao ensinamento teológico da Igreja;
experiência como governante ou administrativa - ter sido bispo de uma
grande diocese pode ser uma qualidade; experiência política, para mediar
conflitos e se relacionar com autoridades de outros países; carisma,
pois o Papa precisa lidar com multidões e saber se comunicar.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:O Povo
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