Pontífice fez primeira
aparição após anunciar renúncia, horas antes da missa de Quarta-Feira de
Cinzas. E disse que tomou a decisão "em liberdade"
O papa Bento
XVI em sua primeira aparição pública, na Quarta-Feira de Cinzas, desde o
anúncio de sua renúncia - Filippo Monteforte/AFP
"As provas às quais a sociedade atual sujeita os cristãos são tantas, e
tocam a vida pessoal e social...Não é fácil se opôr publicamente às
escolhas que muitos consideram óbvias"
Bento XVI
O papa Bento XVI encontrou-se com os fiéis nesta quarta-feira pela primeira vez após anunciar sua renúncia.
A primeira aparição pública do pontífice depois da notícia ocorreu
durante a tradicional audiência geral no Vaticano, em que o papa recebe
milhares de católicos de todo o mundo e os saúda em diversas línguas. O
sermão de Bento XVI tratou sobre as tentações a que Jesus Cristo teria
sido submetido durante os 40 dias e 40 noites que jejuou no deserto da
Judeia, segundo o Evangelho. Durante a catequese, o papa afirmou que
renunciou pelo "bem da Igreja".
O pontífice sublinhou que tomou a decisão "em plena liberdade" e porque
estava ciente da diminuição de sua força física e espiritual e
agradeceu, enquanto era ovacionado pelos milhares de fiéis presentes à
sala Paulo VI do Vaticano, o carinho e as orações de todos. “Senti quase
fisicamente, nesses dias que não foram fáceis para mim, o amor que me
enviaram. Continuem a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro papa. O
Senhor nos guiará”, disse. “Caros irmãos e irmãs, como sabem eu decidi
renunciar ao Ministério que o Senhor me encarregou em 19 de abril de
2005. Fiz isso em plena liberdade e pelo bem da Igreja, depois de ter
rezado muito e examinado diante de Deus a minha consciência, sei muito
bem da gravidade do meu ato, mas sei também que não tenho mais condições
de executar o Ministério Petrino com a força que isso requer”,
afirmou.
“Me sustenta e me ilumina a certeza de que a Igreja é de Cristo, que
não lhe deixará sem seu comando e sua cura. Agradeço a todos pelo amor e
a oração com que me acompanharam”. Interrompido por um longo aplauso,
Bento XVI agradeceu aos fiéis pelo apoio.
Na tradicional audiência de quarta-feira, que tinha como tema "as tentações de Jesus e a conversão pelo reino dos céus", o papa também falou sobre aborto, a eutanásia e as manipulações genéticas. “As provas às quais a sociedade atual sujeita os cristãos são tantas, e tocam a vida pessoal e social”, afirmou o papa. “Não é fácil ser fiel no casamento cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, conseguir espaço para a oração e o silêncio interior, não é fácil se opôr publicamente às escolhas que muitos consideram óbvias, o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doença grave ou a seleção dos embriões para prevenir doenças hereditárias”, disse.
Na tradicional audiência de quarta-feira, que tinha como tema "as tentações de Jesus e a conversão pelo reino dos céus", o papa também falou sobre aborto, a eutanásia e as manipulações genéticas. “As provas às quais a sociedade atual sujeita os cristãos são tantas, e tocam a vida pessoal e social”, afirmou o papa. “Não é fácil ser fiel no casamento cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, conseguir espaço para a oração e o silêncio interior, não é fácil se opôr publicamente às escolhas que muitos consideram óbvias, o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doença grave ou a seleção dos embriões para prevenir doenças hereditárias”, disse.
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Bento XVI foi recebido com muitos aplausos pelas cerca de 3.500 pessoas
presentes. Mais tarde, por volta das 14 horas no horário de Brasília, o
papa vai celebrar a missa da Quarta-Feira de Cinzas, que abre o período
da Quaresma para os católicos. Será a última celebração da data por
Bento XVI como papa. Ao invés de ocorrer em uma pequena igreja de Roma, a
celebração se dará na Basílica de São Pedro, para que mais pessoas
possam acompanhá-la. Em 27 de fevereiro, um dia antes de abdicar ao
cargo, ele vai celebrar uma missa na Praça de São Pedro para despedir-se
dos fiéis.
Na manhã do dia 11 de fevereiro de 2013, o papa Bento XVI surpreendeu o
mundo com a notícia de que deixaria o pontificado ao fim deste mês. Em
latim, durante um consistório para a canonização de dois mártires no
Vaticano, o pontífice, de 85 anos, afirmou que estava renunciando devido
à idade avançada, por "não ter mais forças" para exercer o cargo. O
último papa a renunciar antes de Bento XVI foi Gregório XII, em 1415.
A notícia foi tão inesperada que levou o diretor de redação do jornal italiano La Reppublica
a escrever: "Veremos agora uma sucessão de ineditismos. Não há
história, literatura, doutrina, sequer uma prática estabelecida à qual
se referir. O conclave não ocorrerá depois das exéquias, mas com um papa
vivo."
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Veja
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