A Justiça Federal de Goiás determinou a perda de mais de 100 milhões de
reais em bens do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e integrantes de sua quadrilha investigados na Operação Monte Carlo,
da Polícia Federal. A lista de bens inclui terrenos, apartamentos,
carros e até um avião, a maioria em nome de laranjas. Os bens deverão
ser leiloados e o dinheiro obtido será repassado à União para cobrir
prejuízos causados pela quadrilha e compensar os custos da operação
policial.
O Ministério Público Federal de Goiás, responsável pela avaliação dos
bens, sustenta que eles foram adquiridos por meio de práticas
criminosas. Cabe recurso à defesa.
A decisão é um complemento a uma sentença de dezembro,
que condenou Cachoeira a 39 anos e oito meses de prisão por crimes de
corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato (desvio feito por
servidor público). O contraventor recorre da sentença em liberdade.
Na época da condenação, outros membros da quadrilha foram sentenciados a
penas de prisão: José Olímpio Queiroga foi condenado a 23 anos e quatro
meses de prisão; Lenine Araújo foi sentenciado a 24 anos e quatro meses
de prisão; e Idalberto Araújo, a dezenove anos e três meses de prisão.
Os bens dos envolvidos já estavam bloqueados
desde o ano passado. Na relação divulgada pela Procuradoria, Cachoeira
aparece como proprietário de apenas um terreno em Goiânia, avaliado em
1,5 milhão de reais. Ao todo, sete pessoas aparecem na relação de perda
de bens. José Olímpio de Queiroga Neto, apontado como responsável pelo
controle dos jogos ilegais no entorno do Distrito Federal, deve perder
cinco apartamentos (avaliados em 2,3 milhões de reais), um prédio
comercial (avaliado em 8 milhões de reais), duas fazendas em Goiás
(avaliadas em 450 000 reais) e um posto de lavagem e lubrificação.
Já Lenine Araújo de Souza, primo de Cachoeira e apontado como o
contador da quadrilha, deve entregar dois carros, dois imóveis e três
terrenos em Goiás. O sargento da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá,
citado como o araponga do grupo, foi condenado a perder dois carros e um
apartamento em Brasília (avaliado em 600 000 reais). O juiz também
fixou multa de 156 000 em favor da União para cobrir os gastos da
Operação Monte Carlo - como diárias, locomoção e alimentação de agentes.
Defesa - A defesa de Carlinhos Cachoeira afirmou que
ainda não foi notificada da decisão e que ainda não teve acesso ao seu
teor. O advogado do bicheiro, Nabor Bulhões, disse que se a sentença for
mesmo pela perda de bens, ele deve recorrer da decisão ao Tribunal
Regional Federal. “Não foi produzida nenhuma prova de que os bens
tenham sido obtidos como produto do crime”, disse Bulhões. Ainda de
acordo com o advogado, Cachoeira está concentrado em recorrer da pena de
39 de prisão. “Ele está totalmente voltado para a defesa dele e para
sua família”, disse Bulhões.
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Postada:Gomes Silveira
Fonte:Veja
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