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quarta-feira, 20 de março de 2013

Em Buenos Aires - 40 mil veem cerimônia na Catedral



Argentinos que fizeram vigília em frente à igreja onde Bergoglio rezava missas receberam telefonema do papa

Surpresa e emoção marcaram madrugada dos fiéis que foram ao local acompanhar a missa inaugural do pontificado do argentino foto; Reuters

Buenos Aires. Com os olhos grudados nos telões instalados na Praça de Maio em frente à Catedral de Buenos Aires, cerca de 40 mil fiéis acompanharam a cerimônia de entronização do papa Francisco no Vaticano. Jovens, idosos, crianças, famílias inteiras demonstravam o orgulho de ter um papa argentino e próximo dos humildes.


Às 5h da manhã, quando o papa Francisco entrava para a cerimônia, fiéis rezaram a oração de São Francisco e cantaram o hino do Vaticano. Foram distribuídos ramos de oliva - numa alusão ao domingo de ramos - retirados de uma oliveira plantada por ele ao lado da Catedral.

Rafael Cabral, 26 anos, assistia emocionado com um galho nas mãos. "Ele lavou os meus pés e mudou a minha vida. Ninguém nunca foi capaz de um gesto assim por mim", conta. O jovem está há seis meses num centro de reabilitação da Igreja. Voltou a estudar e a acreditar.

O dia começava a clarear quando Jorge Bergoglio recebeu o anel do pescador e o pálio - símbolos da autoridade papal - e rezou a homilia. O papa lembrou que é preciso "acolher com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, (...) quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão".

A homilia que também destacou a missão de São José - santo do dia e padroeiro do Ceará - reforça a ideia de uma aproximação da Igreja com os fiéis. Nem o frio de 18 graus nem a garoa de véspera de outono em Buenos Aires desanimou os presentes, que começaram a chegar ainda durante a noite do dia 18, carregando bandeiras do Vaticano e da Argentina.

"Estou cansado, mas esta é uma oportunidade única", dizia o estudante Juan Martin, 16 anos, que segurava um cartaz com a frase: "Com o papa Francisco, a Juventude volta com força à Igreja".

Surpresa

A noite de vigília, oração e música foi marcada também por uma surpresa: um telefonema do Papa. Jorge Bergoglio ligou de Roma para o celular do reitor da Catedral, Alejandro Russo, às 3h30 em Buenos Aires, e a chamada foi conectada aos alto-falantes da Praça para que fiéis pudessem ouvir a mensagem.

O papa começou agradecendo as preces. Em seguida, pediu aos fiés para deixarem de lado os ódios e não temerem à Deus, que sempre perdoa. "Que não exista ódio, nem brigas. Deixem de lado a inveja e ´não arranquem o couro de ninguém´; dialoguem, cresçam no coração e se acerquem de Deus", disse.

Mais uma vez, pediu que rezassem por ele: "Por favor, não se esqueçam deste bispo, que está longe, mas ama muito vocês". Antes de desligar, abençoou os presentes, que aplaudiam e gritavam de emoção.

"Eu chorei junto à imagem da virgem de Lujan. Era como um pai falando com os seus filhos. Senti que ele estava próximo, como sempre esteve. É o papa, mas continua sendo o nosso Jorge Bergoglio" contou orgulhosa a missionária Carmen Savala, que trabalha como cozinheira na Paróquia de Santa Elisa, no bairro Barracas. "Ele sempre nos dizia para sair e ajudar as pessoas", acrescentou.


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Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste

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