Quixadá. Apesar do prognóstico pessimista dos meteorologistas e dos profetas da chuva para o inverno deste ano, ainda cedo, no dia dedicado ao padroeiro do Ceará, 19 de março, dezenas de fieis reforçaram no início da manhã suas esperanças numa boa quadra chuvosa para este ano. Era a freguesia de São José, da área pastoral do distrito de Custódio, uma comunidade rural situada a pouco mais de 20Km do Centro de Quixadá.
Durante as celebrações litúrgicas, fiéis e celebrantes relacionaram o padroeiro do Ceará com o período das chuvas, especialmente por coincidir com um dia de precipitações. Devotos mantiveram a fé num bom inverno FOTO: ALEX PIMENTEL
Os fiéis chegaram cedo para a procissão, mas uma chuva forte pegou todo mundo de surpresa. Dessa vez, o cortejo foi realizado após a celebração religiosa presidida por dom Angelo Pignoli, bispo diocesano de Quixadá.
Demonstrando empolgação e bom humor, o bispo deixou nas mãos dos devotos decidirem pela caminhada antes da missa, debaixo de chuva.
Louvação
Caso continuasse chovendo após o ato litúrgico quem insistisse poderia rodear a igreja simbolizando a louvação publicamente. Dom Angelo até ressaltou não ser conveniente, em razão de boa parte dos fieis já serem idosos. Poderiam ficar resfriados. Enquanto ele celebrava a missa, acompanhado do pároco Roberto, missionário local, a chuva continuava caindo para a alegria do sertanejo. "Quem sabe, antes de encerrarmos São José e São Pedro cheguem a um acordo", acrescentou brincando.
Embora em número bem inferior ao de participantes do ato de encerramento do novenário no ano passado, a maioria fez questão de percorrer a vila saudando o andor com o santo.
Procissão
Encerrar a festa sem a procissão é inconcebível para os devotos mais fervorosos e tradicionais. A aposentada Raimunda Marinho de Sousa, 85 anos, era uma das mais animadas.
Como o dia amanheceu chovendo, fez questão de saudar São José por todo o percurso, da localidade de Riacho Verde, onde reside, até o Custódio.
Ela só não conseguiu foi apressar o passo para acompanhar o santo de perto. Mas foi o suficiente para agradar o padroeiro, afinal, a fé está na alma e não nos passos, justificou.
Conforme Fátima Liduína Rabelo, coordenadora da área pastoral de São José do Custódio, esse ano o novenário foi especial. A igrejinha da comunidade completou no dia dois, seu primeiro centenário.
Erguida pelo povo juntamente com o padre Vanderilo, da paróquia de Dom Maurício, na Serra do Estevão, a capelinha se transformou na esperança derradeira dos lavradores de toda a região, incluindo comunidades de cidades vizinhas, como Algodões, em Quixeramobim, e Maravilha, no município de Choró. Ela citou o dia das homenagens, 17, como o momento marcante da festa.
Além da mãe dela, Maria Carmélia Cordeiro, a Irmã Rute, a primeira professora da comunidade, Ester Lessa, até o pai do profeta da chuva Antonio Lima, Luiz Tavares da Silva, todos falecidos, estavam na lista.
Antonio Lima não apareceu. Ele é evangélico. Mas outro profeta da chuva, Renato Lino, fez questão de participar da comemoração de encerramento das festividades de São José do Custódio. Confessou ser devoto do santo protetor dos fiéis daquela comunidade. Ainda acredita em inverno irregular no Ceará. Está ocorrendo conforme previu. As chuvas do dia dedicado ao padroeiro prenunciam apenas o fenômeno do equinócio.
Conversa
As previsões meteorológicas não mudaram e, por isso, não haverá alteração da quadra chuvosa. Será de regular a fraco. "Conversei com o meteorologista Leandro Valente, da Funceme. As águas do Oceano Atlântico continuam frias e as do Pacífico, quentes. Isso não é bom para o sertanejo", acrescentou Renato.
Faltaram apenas os cavaleiros, todavia, conforme José Maria Lemos, o primeiro vaqueiro a participar da tradicional cavalgada realizada naquela localidade, a chuva espantou os montadores. No sábado, 16, um grupo deles partiu em marcha até o distrito de Custódio. Também louvavam o santo. Além da esperança, carregavam a tradição a trote, tocando o berrante sob sol escaldante, até a igrejinha da vila sertaneja, onde se concentram com seus animais para receberem a bênção do pároco. Os mais devotos reforçaram suas preces, pedindo chuvas para e região. Foi a VIII Cavalgada de São José.
Dessa vez, a cavalgada idealizada pelo cavaleiro Pedro Wilson de Oliveira foi realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Quixadá. Ele e grande parte dos cavaleiros da região não participaram do evento. Preferiram aguardar a chegada do 1º de Maio, Dia do Trabalhador, para realizarem um passeio a cavalo.
"São José também é protetor dos operários. Vamos render nossa homenagem a ele de forma diferente e quem sabe comemorando a chegada do inverno" completou Pedro Wilson.
Mais informações:
Comitiva Pastoral de São José
Telefone: (88) 3451.0001
Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Quixadá
Telefone: (88) 9714.5064
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Postada:Gomes Silveira
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