Nos últimos dois dias uma onda varreu Quixadá. Uma onda de demissões! E
ela atingiu com força a pasta da saúde de Quixadá. Prestadores de
serviço foram sumariamente demitidos, gerando imediata instabilidade nos
serviços de saúde oferecidos pelo município. Os atendimentos em vários
postos de saúde foram simplesmente suspensos.
Este
foi precisamente o caso da Unidade Básica de Saúde do centro da cidade,
o SESP, que amanheceu nesta terça-feira com um aviso rústico colado à
porta principal, que dizia: "Suspenso a coleta de exames por tempo indeterminado."
As limitações impostas ao SESP causaram uma sensação de estranheza nos
cidadãos de Quixadá, já que, só este ano, a Prefeitura declarou ao Portal da Transparência ter gasto cerca de vinte milhões de reais
em saúde. Postos de Saúde dos distritos também foram praticamente
fechados. Foi o caso do posto do Cipó dos Anjos e do Custódio.
Como é possível que
tanto dinheiro tenha sido gasto em saúde e, ao mesmo tempo, os serviços
de saúde estejam tão ruins? É a pergunta que martela a cabeça de quase
todo cidadão de Quixadá.
Na semana passada, a
população experimentou grande apreensão, pois o Diretor Clínico e todos
os médicos plantonistas do Hospital Eudásio Barroso ameaçavam deixar
aquele nosocômio caso os plantões atrasados não fossem pagos. Após uma
conversa dos gestores com o Promotor de Justiça, Dr. André Clark, e em seguida com os próprios médicos, a situação parece ter sido contornada.
No entanto, a situação
no Eudásio Barroso continua crítica. Faltam medicamentos básicos e a
infraestrutura para atendimento e internação é desumana. Paredes
mofadas, camas enferrujadas, baratas, mosquitos e ratos dão o tom ao
ambiente. Até lençóis estão em falta. Embora paguem impostos para
garantir os serviços públicos, cidadãos estão se dirigindo às farmácias
para comprar com o próprio dinheiro os medicamentos necessários ao
atendimento hospitalar. Veja algumas fotos:
De fato, a sensação de quem precisa ficar uma noite inteira internado no Eudásio Barroso é de angústia.
Ainda nesta terça-feira,
os médicos plantonistas do Hospital se reuniram com o Promotor de
Justiça. Informações dão conta de que ele acolheu bem as solicitações
dos profissionais médicos e garantiu-lhes solidariedade e empenho do
Ministério Público na defesa dos interesses da população.
Todos estão muito preocupados com a crise que se abateu sobre Quixadá. Nas redes sociais, é comum manifestações pedindo o impeachment do
Prefeito João Hudson, a quem atribuem a maior parte da culpa pela
instalação do caos administrativo tão evidente. O povo também começa a
questionar a atuação da Câmara Municipal, que até agora se
resumiu a apenas "convidar" o prefeito e os secretários para darem
explicações, convites que quase sempre foram rejeitados sem cerimônias.
Dom Adélio Tomasin,
Bispo Emérito de Quixadá, externou nesta segunda-feira, dia 14, em
carta dirigida ao Prefeito João Hudson, sua profunda decepção com a
gestão do município. O bispo apenas traduziu o que muitos sentem:
decepção ao ver a esperança depositada nas urnas sendo dilacerada por
uma gestão que, a cada dia que passa, se reduz mais à pura
incompetência.
Jaime Arantes
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Da Redação
Edição:Ingrid Lima
Jaime Arantes





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