O Ministério Público do Ceará (MPCE) apura denúncias de expulsões de famílias das próprias residências ocorridas nos últimos dias, no Interior do Estado. Há relatos de casos ordenados por uma facção criminosa nas cidades de Juazeiro do Norte e Iguatu.
Nesta segunda-feira (23), o Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência (Nuavv) Cariri, "solicitou, em caráter de urgência, ações imediatas da Polícia Militar para garantir a proteção da família que teria sido expulsa da própria residência em Juazeiro do Norte".
Em entrevista ao Diário do Nordeste, o promotor de justiça André Barroso, do Nuavv Cariri, disse que está em andamento um levantamento para saber o número de vítimas: "oferecemos o acolhimento necessário a essas pessoas", pontuou.
O órgão quer garantir o mapeamento de risco e a atuação integrada da Segurança Pública "para prevenir outras expulsões, incluindo medidas como diagnóstico territorial, reforço do patrulhamento e monitoramento de imóveis potencialmente vulneráveis".
"Ainda não temos esses dados consolidados. No geral, é uma área com baixa incidência de expulsão, mas na semana passada tomamos conhecimento deste caso, dando conta dessa situação no Juazeiro do Norte".
No Cariri, as vítimas teriam sofrido uma coerção armada e presenciado disparos em um conjunto habitacional, resultando em abandono de residências.
Já em Iguatu, o Ministério Público disse ter instaurado procedimento e vir "acompanhando notícias de intimidações e deslocamento forçado de moradores, com coleta de informações e articulação da rede de proteção para avaliação de risco e adoção das medidas cabíveis".
Ainda segundo o MP, "foi solicitado que o Copac (Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades da PMCE) apresente um plano de ações ostensivas e preventivas para os próximos 30 dias, além de uma síntese dos boletins de ocorrência e relatórios técnicos registrados por suas equipes especializadas".
AÇÕES DA SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA
A reportagem entrou em contato com a PMCE a fim de saber se o órgão tem conhecimento das demandas, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria.
[Atualização - 23/2/2026 - 21h09]
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que mantém esforços, por meio das Coordenadorias de Inteligência (Coin/SSPDS) e de Planejamento Operacional (Copol/SSPDS), em conjunto com as polícias Civil e Militar, "para coibir episódios de ameaças e deslocamentos forçados de moradores".
A Pasta destacou ainda ter realizado "64 capturas, em flagrante ou por mandado, relacionadas aos crimes de deslocamento forçado. Além das prisões, já foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão".
Sobre o caso específico de Juazeiro do Norte, a SSPDS explicou que "uma composição do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (PMCE) foi mobilizada para realizar diligências relacionadas à situação, em um residencial popular".
Disse ainda que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco Sul) já havia "instaurado um inquérito para apurar denúncias sobre deslocamento forçado na região no bairro Frei Damião, no segundo semestre do ano passado. O procedimento foi remetido ao Judiciário".
A Secretaria da Segurança afirmou que a "prática, registrada em vários estados do país e que é parte da forma de atuação de grupos criminosos quando há acirramento entre eles, vem sendo combatida no Ceará a partir do mapeamento, monitoramento e prisões de suspeitos".
Por fim, informou que a PMCE, por meio do Copac, "realiza o monitoramento e mapeamento dos imóveis que são parte de ocorrências de ameaças a moradores".
"Em caso de identificação de casas reocupadas por outras pessoas que não sejam os legítimos moradores, os policiais dão encaminhamento às medidas necessárias".
UMA EXPULSÃO A CADA 3 DIAS
Em 2025, o Diário do Nordeste noticiou que um relatório da Polícia Civil do Ceará (PCCE) aponta que o Ceará teve 219 ocorrências de expulsões de moradores, por facções criminosas, em 1 ano e 9 meses. Isso representa uma expulsão a cada 3 dias, aproximadamente.
O dado, que abrange o período de janeiro de 2024 a setembro de 2025, faz parte de um relatório do Núcleo de Inteligência Policial (NUIP) do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), elaborado no dia 17 de outubro do ano passado.
Conforme o documento da Polícia Civil, "a maioria das ocorrências está concentrada na Capital, totalizando 143 registros, com destaque para os bairros Ancuri, Prefeito José Walter, Vicente Pinzón e Jangurussu".
Confira a nota na íntegra da SSPDS
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que mantém seus esforços, por meio das Coordenadorias de Inteligência (Coin/SSPDS) e de Planejamento Operacional (Copol/SSPDS), em conjunto com as Polícias Civil do Estado do Ceará (PCCE) e Militar do Ceará (PMCE), para coibir episódios de ameaças e deslocamentos forçados de moradores. Conforme o balanço da Copol/SSPDS, as Forças de Segurança do Estado já realizaram 64 capturas, em flagrante ou por mandado, relacionadas aos crimes de deslocamento forçado. Além das prisões, já foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão.
Sobre Juazeiro do Norte - Área Integrada de Segurança Pública 2 (AIS 2) do estado, uma composição do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (PMCE) foi mobilizada para realizar diligências relacionadas à situação, em um residencial popular. Anteriormente, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco Sul) instaurou um inquérito para investigar denúncias sobre deslocamento forçado na região no bairro Frei Damião, no segundo semestre do ano passado. O procedimento foi remetido ao Judiciário.
A prática, registrada em vários estados do país e que é parte da forma de atuação de grupos criminosos quando há acirramento entre eles, vem sendo combatida no Ceará a partir do mapeamento, monitoramento e prisões de suspeitos.
A PMCE, por meio do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac), realiza o monitoramento e mapeamento dos imóveis que são parte de ocorrências de ameaças a moradores. Em caso de identificação de casas reocupadas por outras pessoas que não sejam os legítimos moradores, os policiais dão encaminhamento às medidas necessárias.
Denúncias
A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via “e-denúncia”, o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/. O sigilo e o anonimato são garantidos.
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