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sexta-feira, 24 de julho de 2026

POLITICA - Da "humilhação" ao perdão, a linha do tempo da briga de Flávio e Michelle

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro anunciaram nesta quinta-feira (23), através das suas próprias redes sociais, uma "trégua" do desentendimento público que ambos têm protagonizado no último mês, desde que ela publicou dois vídeos e, ao longo de 26 minutos, expôs pela primeira vez um atrito com o enteado e pré-candidato a presidente.

Os vídeos de Michelle foram publicados em 24 de junho e, neles, a ex-primeira dama critica Flávio por apoiar, juntamente com o deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança deo PL (Partido Liberal) com Ciro Gomes (PSDB), enquanto defendia que o partido apoiasse Eduardo Girão (Novo) ao governo do Ceará no primeiro turno.

Desde a publicação, que "caiu como uma bomba" na família Bolsonaro e no PL, Flávio e Michelle travaram uma queda de braços nos bastidores, que só se resolveu com o vídeo publicado por Flávio nesta quinta-feira (23). Na postagem, o pré-candidato pediu novamente desculpas à ex-primeira-dama e renovou o convite para que eles caminhem "juntos na missão de defender o Brasil".

"De coração aberto"

No dia seguinte à publicação do vídeo, em 25 de junho, Flávio Bolsonaro respondeu às acusações feitas pela madrasta de que ela teria sido desrespeitada e humilhada durante uma ligação telefônica. Em suas redes sociais, o pré-candidato pediu desculpas públicas e disse que estaria "de coração aberto para ela

Apesar da primeira tentativa de reconciliação, Flávio foi aconselhado a manter a "cabeça fria" ao lidar com a situação para não desgastar sua imagem com o eleitorado feminino e evangélico, duas bases fortes de Michelle.

Dentro do PL, as reações eram mistas à época. Conforme noticiou a CNN, alguns integrantes da sigla avaliaram que Michelle teria extrapolado os limites ao expor os atritos com o enteado e que buscava um protagonismo que não cabia à ela. Já aliados do PL Mulher -- ala que era presidida por Michelle -- afirmaram que o vídeo foi uma defesa dela contra ataques e mentiras que a miravam.

Com o abalo dentro da família e da pré-campanha, o presidente do PL Valdemar Costa Neto tentou colocar panos quentes na situação no mesmo dia em que Flávio se desculpou. Naquele momento, Valdemar afirmou que admirava "a coragem dos que defendem aquilo que acreditam".

Da parte de Michelle, no dia seguinte ao vídeo, uma de suas primeiras manifestações foi apaziguar o conflito. "Não há briga, nem competição", afirmou.

Uma das primeiras atitudes de Flávio nos bastidores, de acordo com a apuração feita pela CNN, foi procurar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para entender se ele teve conhecimento prévio do vídeo antes da divulgação.

Versículos em jogo

No dia 26 de junho, dois dias após o vídeo, Michelle e a esposa de Flávio, a dentista Fernanda Bolsonaro, trocaram indiretas nas redes sociais. A ex-primeira-dama publicou uma mensagem de cunho bíblico que enfatizava punições divinas a "quem profere mentiras".

"A falsa testemunha não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá. Salmo 34:13", escreveu Michelle. O Salmo citado pela presidente do PL Mulher diz: "Guarde a sua língua do mal e os seus lábios de proferir mentiras", considerado uma lição sobre a importância de manter a integridade de declarações.

Em resposta, Fernanda publicou uma mensagem que reclamava daqueles que estimulavam "contenda entre irmãos". "Provérbios 6:16-1. Há seis coisas que o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos".

Apesar das rusgas entre sua esposa e Michelle, Flávio minimizou o impacto do vídeo durante conversa com jornalistas em Goiás, antes de uma romaria. No evento, afirmou que o episódio era "página virada", enquanto vestia uma camiseta branca "da paz". No mesmo dia, ele foi conversar com seu pai.

Fogo amigo

No dia 29 de junho, duas situações chamavam a atenção: a provável ausência de Michelle no encontro que Flávio organizava com mulheres conservadoras, algo que já era dado como certo nos bastidores; e as críticas do jornalista Paulo Figueiredo contra a ex-primeira-dama.

Em transmissão de seu podcast "Paulo Figueiredo Show", o jornalista questionou a posição de Michelle à frente do PL Mulher.

"O feminismo é um movimento de matriz marxista pós-moderna que carrega consigo ideias como cotas identitárias. [...] A ideia de ter cota pra raça, idade, é absolutamente incompatível com o movimento da direita. [...] Quando vemos uma presidente do PL transformar isso em uma discussão identitária, ferrou. É justamente uma ideologia marxista", criticou.

Apesar das críticas, Paulo afirmou que não conhecia Michelle com profundidade, mas que seria obrigação moral e institucional da ex-primeira dama apoiar a chapa de Flávio por pertencerem ao meesmo partido e por causa da prisão de Jair Bolsonaro.

Um dia após as falas, em 30 de junho, Michelle anunciou a saída do PL Mulher após conversa com Costa Neto. No encontro, o dirigente teria pedido que a ex-primeira-dama adotasse um tom de arrependimento e dissesse que errou ao gravar o vídeo sobre Flávio. Michelle negou a sugestão.

Com a saída de Michelle, Costa Neto extinguiu, no primeiro dia de julho, o comando nacional do PL Mulher, que passou a ter apenas lideranças estaduais.

Contornos

Após a crise deflagrada, diversos institutos de pesquisa tentaram entender a magnitude do impacto que o vídeo de Michelle teve na pré-candidatura de Flávio. Um dos exemplos foi a pesquisa Atlas/Intel divulgada em 2 de julho, segundo a qual 64,1% dos eleitores acreditavam no enfraquecimento da campanha de Flávio após o episódio. Michelle é considerada um forte nome entre o eleitorado feminino, setor visto como crítico pela campanha e afetado pelo vídeo, e evangélico.

Para tentar fugir do impacto, Flávio foi aconselhado a escolher uma mulher evangélica como vice em sua chapa, conforme apurou a CNN. Para os dirigentes, seria importante uma substituta de Michelle no palanque.

Contra-ataque

No dia 3 de julho, foi a vez de Michelle ser criticada após elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação. Ela chamou o programa de "sonho realizado" e foi criticada nas redes sociais pela base bolsonarista.

Segundo aliados de Michelle, a ex-primeira-dama parabenizou a comunidade surda por considerar que a medida atende a uma pauta defendida por ela desde o governo Bolsonaro, quando articulou a criação de uma diretoria voltada à educação bilíngue de surdos.

Nas redes sociais, uma parcela significativa da base bolsonarista se colocou contra Michelle. Deputados, senadores e figuras importantes do PL passaram a compartilhar no WhatsApp uma figurinha da ex-primeira-dama com a camisa do PT.

No dia 11 de julho, Flávio abriu uma transmissão em tempo real nas suas redes sociais para ler uma "Carta aos Brasileiros" escrita por seu pai e na qual ele anunciava que o filho tinha seu apoio como único nome da direita para "resgatar o Brasil". A mensagem de que o senador era seu "único porta-voz" foi entendida como uma crítica a Michelle.

Três dias depois, em 14 de julho, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu pelo impedimento de visita de Flávio Bolsonaro ao pai durante o processo eleitoral. Com a decisão, Michelle Bolsonaro se tornou a principal porta-voz do marido, papel antes desempenhado pelo enteado. A decisão veio após a leitura de uma carta escrita a punho por Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo.

Antes da divulgação do documento, segundo relatos feitos à CNN, Michelle chegou a alertar que a divulgação em rede social poderia contrariar medida cautelar imposta pela Suprema Corte.

No dia seguinte, em entrevista ao Flow Podcast, Flávio afirmou que não tinha mais relação com Michelle, "ainda mais depois da decisão do (Alexandre de) Moraes". Ele acrescentou ainda que teria "estancado antes" a crise causada por Michelle na sua pré-campanha se ela não fosse esposa de seu pai.

Flávio não foi o único filho de Jair Bolsonaro a deixar claro o desgosto pela atitude da madrasta. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), em entrevista, classificou a publicação do vídeo da madrasta como uma "imaturidade" política da parte dela.

Enfim reconciliados

Conforme noticiou a CNN nesta quinta-feira, Michelle sinalizou ao PL que tem disposição para conversar com Flávio Bolsonaro e definir sua possível participação na campanha do enteado ao Palácio do Planalto, mas não deve comparecer à convenção nacional do PL, no sábado (25).

Além de abrir brecha para uma reconciliação, Michelle afirmou que será candidata ao Senado Federal pelo Distrito Federal e que atuará por candidaturas femininas de direita. No mesmo dia, Flávio publicou um vídeo pedindo desculpas a Michelle, que curtiu a publicação e depois publicou seu próprio vídeo aceitando as desculpas e chamando o enteado para "sentar e conversar".



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POSTADA POR GOMES SILVEIRA

COM INFORMAÇÕES CNN BRASIL

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