Os deputados estaduais Heitor Férrer (PSDB) e Romeu Aldigueri (PSB), este último o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), foram protagonistas de um desentendimento durante o primeiro expediente da sessão ordinária da Casa Legislativa desta quarta-feira (1º).
A discussão ocorreu após o oposicionista solicitar o comparecimento de Roberto Sá, titular da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), ao plenário para prestar esclarecimentos sobre a operação que localizou uma plantação de centenas de milhares de pés de maconha em Acopiara, na última quinta-feira (25).
A ação é alvo de investigação pela Controladoria Geral de Disciplina do Ceará (CGD) e pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), após denúncias de falha nos procedimentos de custódia da ação da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE).
As possíveis falhas foram denunciadas pelo deputado federal André Fernandes (PL), que mostrou em suas redes sociais que o local do crime não foi preservado pelas autoridades e deixado sem supervisão.
Acusações de Férrer deram início para discussão
Ao subir à tribuna da Alece, Heitor defendeu seu pleito dizendo que houve a identificação da plantação pelos policiais civis, a determinação de destruí-los e que "essa instituição foi obrigada a abandonar" o que chamou de "pantanal de maconha".
O autor do requerimento que formalizou a convocação disse que a situação deixou "em risco" a moral e a credibilidade da gestão estadual, e "levantando a suspeita do governo com criminosos".
"Eu aqui quero um esclarecimento para que as coisas fiquem elucidadas. Quero dar chance ao Governo do Estado. E estou dando essa chance através de uma convocação do secretário", alegou Férrer, que indicou que a produção encontrada seria equivalente a quase R$ 300 milhões.
"A explicação que tem que dar aqui é a Secretaria de Segurança Pública através do seu titular", defendeu ele em outro momento do discurso.
Presidente defendeu números e entregas do governo
Em seguida, presidindo a sessão, Aldigueri rebateu o tucano. Antes de iniciar sua fala, ele justificou que se tratava de um "reparo". "Queria fazer um registro, o de parabenizar a atuação das Forças de Segurança Pública do Estado do Ceará. Os números do Estado do Ceará em segurança pública em 2026 são extraordinários", argumentou.
Estou nesta Casa há sete anos e meio, nunca um governador mandou tantas mensagens em prol da segurança pública. Realização de concursos públicos, qualificação, compra de viaturas blindadas, mais de 3 mil viaturas entregues.
"Se a Polícia Civil vai lá e detecta três hectares de uma plantação de maconha, parabéns à polícia. Se houve erro na custódia, a Controladoria Geral está investigando e vai punir quem errou", rebateu o presidente da Assembleia Legislativa.
Ele considerou que as críticas da oposição sobre o caso seria "falta do que fazer e falta do que dizer ao povo cearense" porque o grupo não teria "projeto de governo" e divergiu do valor na casa das centenas de milhões de reais apontado pelo colega de Parlamento. "Todo dia a candidatura da oposição definha com espetáculos que não condizem com a realidade", completou.
Deputados divergiram sobre defesa de Aldigueri
A manifestação de Aldigueri não foi bem recebida por Férrer, que acusou o chefe do Legislativo estadual de ter utilizado sua posição na Mesa Diretora para defender o governo. "O senhor devia estar na tribuna para fazer o discurso que o senhor quisesse, mas não como magistrado e líder de todos nós", frisou.
"Vossa Excelência é o meu líder. Vossa Excelência aqui é um orientador. Nós nos aconselhamos com Vossa Excelência. Se Vossa Excelência quer defender o governo, [o local] é a tribuna, não é a presidência do Legislativo", continuou.
Vossa Excelência diz que eu não tenho o que fazer. Eu não tenho o que fazer? Eu estou aqui há 20 anos. E estou sem ter o que fazer, presidente? Então feche o Poder. Admiro Vossa Excelência como presidente, mas não aceito que o meu presidente, o magistrado da Casa, venha assacar contra o seu representado em defesa do governo.
Por fim, Romeu Aldigueri explicou que estaria defendendo a corporação responsável pela apreensão em Acopiara. "Defendi a instituição Polícia Civil e assim o farei enquanto presidente do Poder Legislativo, enquanto deputado.
"Não estou aqui fazendo política eleitoral e respeito se Vossa Excelência assim o fizer. Agora, enquanto estiver aqui, eu defenderei a instituição. Nós somos uma instituição que tem 191 anos e a Polícia Civil do Estado do Ceará é respeitada no Brasil", falou.
Deputado quer saber informações sobre possíveis falhas
O requerimento protocolado por Heitor Férrer solicitando a convocação do secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará apresenta uma lista de questionamentos que devem ser respondidos pelo titular da pasta.
Entre as informações solicitadas estão:
- O planejamento da ação policial e as circunstâncias em que a área foi localizada;
- As razões pelas quais a lavoura não teria sido destruída de imediato após ser encontrada;
- A identificação dos donos da terra, financiadores ou membros da organização criminosa envolvidos;
- Se houve falhas operacionais, de inteligência, logística ou de efetivo e quais providências foram adotadas para apurar;
- O estágio atual das investigações e quais medidas serão tomadas para evitar a instalação de novas plantações de drogas no estado.
Na justificativa, Heitor destaca que o tamanho da plantação "revela a atuação de organizações criminosas com elevada capacidade de financiamento, logística e ocupação territorial", o que representaria "extrema gravidade" para a segurança cearense.

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