A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (9) dois mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão em uma operação sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas a ONGs no Rio de Janeiro.
As emendas sob investigação são do ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenado em fevereiro como mandante da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrida em 2018. No ano passado, a Justiça tinha autorizado sua transferência para prisão domiciliar.
A Folha de S.Paulo entrou em contato com a defesa de Chiquinho por mensagem na manhã desta quinta, mas os advogados não se manifestaram.
Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O irmão de Chiquinho, Domingos Brazão, também é investigado. Ele foi condenado com Chiquinho no caso Marielle.
O advogado de Domingos, Marcio Palma, disse que ainda não teve acesso aos dados do processo e aos fatos investigados.
Segundo a PF, são apuradas suspeitas dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram determinados bloqueios patrimoniais no valor de R$ 100 milhões.
A investigação, diz a PF, identificou que parte dos recursos provenientes de emendas parlamentares federais destinados a entidades sem fins lucrativos, que mantinham contratos e parcerias com órgãos da administração pública federal, teria sido desviada mediante pagamentos indevidos, utilização de empresas interpostas e mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos valores.
“Os investigados teriam utilizado organizações da sociedade civil, pessoas físicas e pessoas jurídicas vinculadas ao grupo para movimentação financeira e ocultação patrimonial, com indícios de repasses realizados por meio de empresas e terceiros utilizados como interpostas pessoas [laranjas].”

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