O senador Camilo Santana fez um duro alerta sobre as propostas econômicas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que um ajuste de R$ 200 bilhões nas despesas públicas poderia atingir programas sociais, políticas de saúde, educação, salários e o funcionalismo federal.
Segundo Camilo, a proposta representaria a retomada de uma política de cortes semelhante à adotada, na avaliação dele, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eles vão fazer exatamente o que fizeram quando governaram esse país: cortar no Farmácia Popular, cortar no Mais Médicos, cortar na merenda escolar, cortar nos programas sociais, no reajuste do salário mínimo”, afirmou.
O senador também lembrou que, durante o governo Bolsonaro, o salário mínimo ficou sem aumento real em determinados anos e criticou a política salarial destinada aos servidores públicos federais naquele período.
Camilo disse que uma das tarefas dos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o segundo turno será levar o debate econômico diretamente à população e discutir quais setores seriam atingidos por um eventual corte de R$ 200 bilhões.
“Nosso papel é trazer esse debate para a população, ajudar nessa discussão, porque nós não queremos transformar o Brasil na Argentina”, afirmou.
O senador comparou a proposta de redução de despesas ao ajuste promovido pelo presidente argentino Javier Milei.
“É o mesmo tesouraço que o Milei fez lá na Argentina que Bolsonaro e Flávio estão propondo fazer aqui”, declarou Camilo. A comparação representa a avaliação política do senador sobre as propostas do adversário.
‘Vai cortar de quem?’
Camilo também questionou quem suportaria o peso de um eventual ajuste fiscal e defendeu que políticas de equilíbrio das contas públicas priorizem a cobrança de impostos sobre os segmentos de maior renda.
“E vai cortar de quem, gente? Nós queremos cortar dos grandes, dos ricos desse país, porque o país ainda tem muita desigualdade”, afirmou.
Como contraponto, o senador citou a política de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil mensais, defendendo que pessoas de maior renda contribuam proporcionalmente mais para o financiamento das políticas públicas.
“A gente quer, por exemplo, que o trabalhador que ganha até R$ 5 mil seja isento do Imposto de Renda, como nós fizemos, e que os grandes possam pagar a cota daqueles que mais sofrem nesse país”, disse.
As declarações colocam novamente no centro da campanha presidencial o debate sobre ajuste fiscal, manutenção dos programas sociais, salário mínimo e distribuição da carga tributária. De um lado, aliados de Lula procuram associar a proposta de redução das despesas a possíveis cortes em políticas públicas. Do outro, a campanha de Flávio Bolsonaro tem defendido redução de gastos e impostos e afirma que programas sociais essenciais serão preservados.
Como a busca na web está desativada nesta conversa, mantive como declarações atribuídas a Camilo as referências aos R$ 200 bilhões e aos possíveis cortes, sem tratá-las como propostas já confirmadas em todos esses programas.
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