Deputado estadual reeleito e cotado para permanecer como presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) apesar da mudança de legislatura em 2027, Romeu Aldigueri (PSB) se consolidou nas eleições deste ano como um dos principais caciques políticos locais, ao lado de nomes como o do governador Elmano de Freitas (PT) e os dos senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB).
O parlamentar recebeu O Estado nesta terça-feira (27) em seu gabinete para falar sobre o cenário cearense pós-pleito de 2026, bem como sobre outros temas, após participar da sessão que marcou a retomada fluida das atividades da Casa.
A Alece vai ganhar novos contornos no ano que vem, como a concentração de mandatos da dupla PT-PSB formando a maioria da Casa – já no início da Legislatura, são 25 estaduais ao todo na dobradinha – e o crescimento do PL do deputado federal reeleito e declaradamente bolsonarista André Fernandes, presidente estadual do partido.
Questionado sobre como enxerga o movimento oposicionista no Estado para os próximos quatro anos, Aldigueri argumentou que a oposição local passou a ser majoritariamente bolsonarista, uma vez que as cadeiras da Casa foram expandidas pela sigla, que saiu de quatro deputados para seis.
“O café da oposição dos ciristas foi dizimado nas urnas pelo próprio André Fernandes e pelos seus dois candidatos, Tancredo [dos Santos] e Abreu [Júnior]”, defendeu ao criticar o parlamentar da Câmara.
Sobre o senador Cid Gomes (PSB), de quem é aliado direto, voltou a chamá-lo de estadista, criticou o irmão do parlamentar, Ciro Gomes (PSDB), sem citar o nome do tucano e apontou que acredita que Cid não tem a intenção de compor o governo Lula 4 como ministro.
Aldigueri, que evitou se aprofundar sobre uma eventual composição do secretariado do governador Elmano de Freitas (PT), mas disse não ter dúvidas de que o PSB estará no primeiro escalão ao Palácio da Abolição, também elogiou seu outro correligionário, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e o senador Camilo Santana (PT).
“Espero que o Ceará tenha seus espaços no ministério do presidente Lula. Acredito que o Camilo Santana muito bem conduziria a Casa Civil, daria um novo dinamismo, muito mais competência”.
O ESTADO – Como o senhor enxerga que será a atuação da oposição na Alece a partir do próximo ano?
Romeu Aldigueri – Hoje o que se desenha como oposição no Estado é o bolsonarismo. É a liderança do PL, do deputado André Fernandes, que se mostra não como líder, porque ele não olha para dentro. Ele praticamente dizimou a própria direita e o próprio PL. Ele teve essa super votação, mas não se preocupou com o próprio partido. Fez apenas quatro federais, quando poderia fazer seis federais. Ele deixou a Priscila Costa fora, perseguiu a Priscila Costa dentro do próprio partido. O deputado Carmelo [Neto], o próprio deputado André, o deputado Matheus Noronha, o deputado Alcides [Fernandes] tiveram mais de 3 milhões de reais de fundo partidário. A Priscila Costa só teve 1 milhão e meio, e o presidente do partido era ele. Há depoimentos que dizem que no primeiro turno ele não atendia o telefonema dos colegas, dos deputados federais e estaduais que o procuravam. Era inacessível. Ele não deu 1 real para o pastor Frota, que se elegeu deputado estadual, enquanto o Carmelo recebeu mais de 3 milhões e a Bela Carmelo recebeu a quantidade que a Priscila recebeu. E a Priscila é deputada federal de mandato. Uma liderança nacional do PL, mulher. E ela deixou de ser deputada por 2.700 votos […] Ele faz uma política muito egocêntrica para si próprio. Lançou o pai senador da República, tirou o quarto lugar. O café da oposição dos ciristas foi dizimado nas urnas pelo próprio André Fernandes e pelos seus dois candidatos, Tancredo [dos Santos] e Abreu [Júnior].
OE – Cid Gomes saiu fortalecido desta eleição na política local. Como definir a liderança do senador no pós-pleito?
RA – O senador Cid é um estadista, uma referência para todos nós. Foi quem idealizou esse projeto transformador do Ceará. Camilo [Santana] aperfeiçoou e melhorou, e agora Elmano [de Freitas], em parceria com o presidente Lula, acelera esse projeto, de continuidade. Cid é um homem reto, correto, que votou no Elmano porque é o projeto dele. Sempre esteve desse lado do campo progressista, não mudou de lado para ir para o radicalismo, o bolsonarismo. Foi um das peças fundamentais, protagonistas, campeão de votos, primeiro senador reeleito da história do Ceará. São 16 anos de Senado. [Cid é] uma luz cearense no Senado federal e vai ser muito positivo tanto para o quarto mandato do presidente Lula, como no segundo mandato do governador Elmano. Trabalhou muito agora no segundo turno, inclusive melhorando a nossa performance do próprio presidente Lula em Sobral.
OE – PSB grande na casa, PSB grande também no governo Elmano em termos de secretarias?
RA – Não tenho dúvidas. Nós somos parceiros, o projeto é coletivo. PSB e PT são partidos coirmãos, muito parecidos nos seus programas partidários. Nosso vice-presidente é [Geraldo] Alckmin, do PSB. Nós temos um senador reeleito do PSB. E temos a maior bancada da Casa com 13 deputados, e a Federação Brasil Esperança tem 12 deputados. É um governo de coalizão, que trabalha junto, coeso, e obviamente o PSB vai ter, como tem hoje, terá no futuro as secretarias, tenho certeza, quando o governador Elmano sentar e decidir fazer o novo secretariado e fizer o planejamento para o próximo quadriênio.
OE – Já tem uma data mínima para o governador Elmano ter alguma conversa sobre o novo secretariado?
RA – Não conversei nada com o governador sobre isso.
OE – Senador Cid tem um espaço ou pode ser um nome para algum ministério do presidente Lula?
RA – Não vejo interesse do senador Cid nisso. Senador Cid não é um homem afeito muito a cargos. É hoje um líder do PSB, conduziu muito bem a nossa bancada a nível nacional, mas tem expertise, maturidade, competência para exercer qualquer cargo, assim como o senador Camilo, que foi fundamental na reeleição do presidente Lula, coordenou a campanha com maestria, com inteligência, assim como o suplente senador Chagas Vieira [PDT]. Ajudaram muito na comunicação, na mudança de chave da rede social do presidente, na conexão com a juventude, na conexão com as massas, assim como foi o governador do Piauí, Rafael Fonteles [PT], e foi o [deputado federal eleito] André Janones [Rede]. São quatro pessoas que fizeram o diferencial agora no segundo turno, e eu espero que o Ceará tenha seus espaços no ministério do presidente Lula. Acredito que o Camilo Santana muito bem conduziria a Casa Civil, daria um novo dinamismo, muito mais competência. O presidente Lula disse no auge da sua maturidade, no apogeu da vida, quarta presidência popular pelas urnas, que farão o maior mandato da história dele, e eu acho que o Camilo Santana é um protagonista dessa história.
OE – Há alguma conversa sobre Alckmin ser um nome para a Fazenda?
RA – É normal, quando se termina a eleição, já começar a especulação da formatação dos próximos governos, tanto a nível estadual, como a nível federal. Mas acredito que o presidente Lula não está pensando nisso ainda. Ele vai ter tempo suficiente […] Acho que em dezembro vai conversar com os partidos aliados, vai conversar com partidos que estão aliados, mas que votaram agora no Flávio [Bolsonaro], para ver se recompõe na base, para formatar com tranquilidade. O vice-presidente Alckmin também, assim como o senador Cid, assim como o senador Camilo, tem competência e tamanho para ocupar qualquer ministério.

O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), deputado estadual Romeu Aldigueri (PSB) / Foto: Divulgação / Alece
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