Segundo Maggi, o motivo do rompimento é a indefinição sobre a volta do
partido ao controle do Ministério dos Transportes. Desde que o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) deixou o cargo, em julho, em razão de denúncias de irregularidades, o ministro dos Transportes é Paulo Sérgio Passos. Embora filiado ao PR, Passos não é reconhecido pelos senadores como uma indicação do partido.
"Estávamos negociando a volta do PR ao Ministério dos Transportes.
Sempre deixamos claro que era isso que queríamos. Voltamos a negociar,
mas, não tivemos resposta. Hoje conversamos com a Ideli [Salvatti,
ministra das Relações Institucionais] e decidimos que não tem como
seguir nessa negociação. Avisamos ao governo para não contar mais com o
PR da forma disponível como contava. Significa que estamos neste momento
na oposição. Não significa que é uma oposição raivosa, mas é uma
oposição", declarou Maggi.
saiba mais
O site de Maggi na internet reproduz uma declaração do senador segundo a
qual ele afirma que o governo "nos empurra com a barriga o tempo todo".
"Cansei", disse o senador, segundo o texto. "Resolvemos em conjunto que
estamos fora do governo, e, se a [bancada na] Câmara quiser continuar
com a Dilma, que o faça", declarou.
Com a saída da base, o PR se junta ao PSDB, DEM e PSOL na oposição no
Senado. Juntos, os partidos somarão 23 senadores, num total de 81 na
Casa. Os demais partidos têm 58 senadores, em tese, aliados ao Planalto.
Mesmo com a mudança, a base no Senado ainda será mais que suficiente
para aprovar propostas de emenda à Constituição, matérias mais difíceis
de aprovar, em que são necessários 49 votos.
CâmaraNa Câmara, o líder do PR, Lincoln Portela
(MG), afirmou que a decisão anunciada por Blairo Maggi "não reflete a
posição do partido". "Não sei qual a posição que a presidente Dilma vai
tomar a partir dessa postura dos senadores do PR. Mas não se trata de
uma posição do partido, é uma posição do Senado", disse.
Segundo o deputado, na Câmara, o PR continuará a adotar uma postura de
"independência"."Para o partido na Câmara, o diálogo sobre o um possível
retorno à base aliada não passa por indicação ao Ministério dos
Transportes, passa por um entendimento, um acordo político."
A bancada do PR na Casa é composta por 37 deputados. De acordo com
Lincoln Portela, a orientação da legenda é aprovar projetos de
"interesse nacional", independentemente da posição do governo.
Novo líder do governo
Blairo Maggi disse que comunicou oficialmente a decisão da bancada do PR ao novo líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e ao líder do PT na Casa, senador Walter Pinheiro (BA), em uma reunião no café do Senado. "O novo líder começou reclamando do problema que tem", disse Maggi.
Blairo Maggi disse que comunicou oficialmente a decisão da bancada do PR ao novo líder do governo, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), e ao líder do PT na Casa, senador Walter Pinheiro (BA), em uma reunião no café do Senado. "O novo líder começou reclamando do problema que tem", disse Maggi.
Segundo Maggi, a ministra Ideli Salvatti, com quem o partido estava
negociando o retorno ao governo, não chegou a manifestar a intenção de
oferecer nenhum outro ministério para o partido. Segundo ele, o PR
sempre deixou claro que não gostaria de ter nenhum outro cargo que não
fosse o comando do Ministério dos Transportes.
"O partido acha que é o único espaço em que pode recuperar seu nome",
disse o líder do PR. Maggi afirmou que a decisão não tem caráter pessoal
e que tem "carinho" pela presidente Dilma. "Eu não tenho nada pessoal
contra a presidente Dilma. Vou continuar tendo carinho e respeito por
ela. Agora, em questões políticas, preciso cuidar da minha base",
afirmou.
Por meio das assessorias, o Palácio do Planalto e a Secretaria de
Relações Institucionais informaram que não iriam se manifestar nesta
quarta sobre a decisão da bancada do PR no Senado.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário