Petistas criticaram os "excessos" do Supremo e cobraram o mesmo julgamento para o "mensalão mineiro"
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) afirmou ontem que a história vai julgar a "crueldade e a injustiça" que o PT sofre por parte da imprensa
Brasília O PT não vai aplicar o Código de Ética para expulsar os réus do partido condenados no processo do mensalão e avalia que a última palavra sobre a perda do mandato dos parlamentares cabe à Câmara dos Deputados, e não ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No primeiro dia de reunião do Diretório Nacional do PT, ontem, petistas criticaram o que definiram como "excessos" do Supremo e cobraram o mesmo julgamento para o "mensalão mineiro", que atinge o PSDB.
Condenado a dez anos e dez meses de prisão, o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu foi o único dos réus petistas a participar do encontro. Se o Supremo decidir que cabe à Justiça decretar a cassação, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) perderá o mandato. Além disso, o ex-presidente do PT José Genoino, hoje suplente, não poderá assumir a vaga de deputado federal, em janeiro de 2013. "O fato de Dirceu e outros companheiros terem sido condenados não significa que o PT os esteja condenando", disse a deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Produzido após o escândalo do mensalão e tendo como um dos redatores o atual ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o Código de Ética do partido prevê a expulsão de filiados envolvidos em escândalos de corrupção e condenados em última instância pela Justiça.
"É ao PT que cabe o direito de defesa dos acusados, com comprovação das denúncias, porque o Supremo não permitiu isso", criticou Benedita. "Nós estamos tristes e lamentamos o formato do julgamento, que não levou em conta provas. Houve muito exagero", disse o deputado André Vargas (PR), secretário de Comunicação do PT.
Crueldade
O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) afirmou ontem que a história vai julgar a "crueldade e a injustiça" que o PT sofre por parte da imprensa. Ele fez ontem a sua primeira aparição pública depois que o STF decidiu que ele deve cumprir em regime fechado a pena pelos crimes relacionados ao mensalão.
De acordo com ele, "a imprensa separa o joio do trigo e publica apenas o joio". Disse ainda que a imprensa está sendo desrespeitosa com o ex-presidente Lula, ao contrário de como trata o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele comparou o processo do mensalão ao caso do presidente Getúlio Vargas, que se matou em 1954 após uma crise política.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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