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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tucanos - FHC lança Aécio para presidente em 2014


O ex-presidente diz que as obras paradas do atual governo mostram sua incapacidade de gerenciamento

Brasília O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, lançaram ontem o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, candidato à Presidência da República em 2014. Para o presidente do partido, Aécio é hoje o melhor candidato da legenda, porque tem todas as condições de ser o próximo presidente da República.

Para Aécio é o momento de o PSDB fazer um projeto de uma nova gestão, já que o PT abriu mão de administrar em troca de um projeto de governo


O lançamento foi durante seminário para prefeitos do PSDB, realizado em Brasília. Aécio também foi lançado, ao mesmo tempo, candidato a presidente do partido. Aécio Neves, presente ao anúncio, declarou-se honrado e disse que sua candidatura será lançada no início de 2014.

Para ele este é o momento de o PSDB fazer um projeto de uma nova gestão para o País, porque o PT abriu mão de administrar o Brasil em troca de um projeto de governo. "Eu estou pronto. O Brasil está cansado com o que está acontecendo", disse Aécio, referindo-se às denúncias de corrupção no atual governo.

O ex-presidente FHC ressaltou as obras inacabadas do atual governo, como a transposição do Rio São Francisco. "É uma vergonha. Este governo não tem nenhuma eficiência. Não tem por causa das malfeitorias e dos malfeitos e isso não é questão de moralismo. É porque isso afeta os resultados. É o povo que paga por isso", afirmou.

Mais contundente, Sérgio Guerra (PE) disse que a transposição do Rio São Francisco foi mal planejada, que já foram gastos R$ 7 bilhões, que continua faltando água na região e que ninguém foi preso por isso. Lembrou também que a refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, já custa três vezes mais do que projeto original.

Para Fernando Henrique, é possível, sim, ganhar de Dilma Rousseff nas próximas eleições. O que é preciso agora, ressaltou, é ter a capacidade de levantar questões, ouvir o que a população tem a dizer e transformar isso em propostas viáveis".

O ex-presidente também definiu como característica do PT o "desrespeito ao profissionalismo". Para ele, as gestões de Lula e Dilma privilegiaram, antes da eficiência, as filiações partidárias e uma visão ideológica não condizente com os desafios atuais da administração pública, reafirmando que o PSDB precisa, ao longo de 2013, "mais escutar do que dizer".

Oposição

Aécio, no discurso para os prefeitos eleitos, enfatizou que a sigla deve aprimorar sua postura como a principal força de oposição do País. "Vamos construir um projeto alternativo e levá-lo à população", disse. Ele disse que, no período eleitoral de 2012, os candidatos ligados ao PT disseram que teriam mais facilidade de ajudar a população, por um suposto afinamento com o governo federal. "É a isso que precisamos continuar nos opondo".

O ex-senador Tasso Jereissati (CE) ressaltou que, ainda com quase dez anos no poder federal, o PT recorre ao PSDB para justificar as falhas e desvios de sua gestão. "É impressionante como continuam indo para cima do governo FHC sempre que algum escândalo estoura", declarou.

Para Carvalho, há mais fiscalização
Brasília O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) afirmou, ontem, que os órgãos de fiscalização e controle do governo federal nunca tiveram tanta autonomia e liberdade até mesmo quando "cortam na própria carne".

Carvalho, contudo, não quis falar especificamente sobre os desdobramentos da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal

"A impressão de que há mais corrupção agora não é real. O que há mais agora é que as coisas não estão mais embaixo do tapete", disse o ministro, antes do seminário internacional Desafios da Construção da Democracia no Mercosul, em Brasília.

Questionado se o governo apoia ações do Ministério Público, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da República "doa a quem doer", o ministro respondeu: "Sempre foi assim".

Carvalho, contudo, não quis falar especificamente sobre os desdobramentos da Operação Porto Seguro, da PF, que flagrou um esquema corrupção e tráfico de influência com participação de diretores de agências reguladoras, da ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo e de outros funcionários do governo federal. Todos os envolvidos foram exonerados ou afastados dos cargos. Numa crítica explícita aos tucanos, o ministro, que foi chefe de gabinete do ex-presidente Lula, fez questão de dizer que foi a partir do governo Lula, em 2003, que os órgãos de controle tiveram o aval do governo para agir de forma autônoma.

"Os órgãos todos de vigilância, fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne", disse o ministro.

Carvalho destacou a liberdade de ação não apenas dos órgãos de controle diretamente ligados ao governo federal - Polícia Federal e Corregedoria Geral da União -, como também ressaltou a autonomia do Ministério Público. Para Carvalho, "nunca nesse País" o procurador-geral da República teve tanta independência. Foi o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza quem denunciou petistas pelo envolvimento no mensalão.

´Lula merece, do Brasil, respeito´

São Paulo O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, defendeu ontem o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vem sendo alvo de pressão da oposição e de setores da situação após a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal.

Apesar da defesa de Lula, o governador de Pernambuco defendeu que se apure o escândalo

A operação levantou suspeita de corrupção e tráfico de influência envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha, pessoa próxima ao petista e que chegou a esse posto por sua indicação.

Indagado se Lula devia explicações à sociedade, Campos afirmou: "Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) na história, de líderes que têm imperfeições, que cometeram erros, mas que legaram ao Brasil, cada um a seu tempo, algo que é importante para a vida brasileira até hoje (a democracia). O presidente Lula merece, do Brasil, respeito".

Construção do País
Campos destacou que pode ter até algumas divergências com Lula, mas é fundamental compreender o papel que ele teve na construção do País. Apesar da defesa de Lula, o governador defendeu que se apure tudo no âmbito desse escândalo e que as pessoas que usaram cargos públicos para tráfico de influência sejam punidas.

"O Brasil tem mudado, não se aceita mais que uma carga tributária de quase 36% possa ser administrada por práticas patrimonialistas. E (o Brasil) tem mudado", frisou. Apontado como presidenciável, ele disse ontem que falta "rumo estratégico" às medidas do governo para combater a crise financeira internacional.
 
 
 
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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