"São José não deixou faltar pão e alimento na sua pequena família, também não vai deixar faltar na dos cearenses. Pedimos e rezamos por chuva, e sei que ele vai rogar", assim afirmou o arcebispo de Fortaleza, dom José Antônio Tosi, durante procissão, no fim da tarde de ontem, no Centro de Fortaleza, em celebração ao santo padroeiro do Ceará. O clima era de agradecimento pela água que já molhou mais de 100 municípios e de súplica pela permanência dessa invernada.
A tradicional caminhada em homenagem a São José saiu da Catedral Metropolitana e percorreu as ruas do Centro. O cortejo de homens e mulheres com terços e flores nas mãos seguiu até a Avenida Dom Manuel Foto: Waleska Santiago
Para ele, a devoção do sertanejo cresce a cada ano, principalmente em tempos áridos como os nossos. "São José está dentro da devoção do povo, sua data coincide com a entrada do inverno, daí toda essa fé no santo que guarda a semente da Igreja", diz.
A procissão já é tradição na Capital. Com saída na Catedral, o cortejo de homens e mulheres, maioria vestidos de branco, com terços e flores nas mãos, seguiu até a Avenida Dom Manuel com cânticos e louvores. A lotação tomou as vias, parecia um mar, uma enxurrada de esperança.
Clamor
A pensionista Rita Lima, 53, amanheceu o dia olhando para o céu, checando se ia ou não cair água. Ficou feliz com a pouca chuva que veio para a Capital, e não deixou de ir para a procissão. "Tem que cair chuvarada muita, temos que rezar ainda mais para ter um bom inverno e livrar o agricultor da fome, da sede e da morte", afirma a senhora.
No colo, ela levava o neto pequeno, Davi Filho, que, com chapéu de couro, lembrava a súplica de cada sertanejo nesse dia 19. "Trouxe meu netinho para fortalecer ainda mais a reza", conta Rita. Durante todo o dia de ontem, foram celebradas cinco missas na Catedral Metropolitana em homenagem ao santo.
Apesar do nome Francisco, ele é mesmo devoto de São José. Frequentando a procissão há mais de 15 anos, ele diz se sentir bem. Conta, em tom de brincadeira, que, se o padroeiro fosse brasileiro, ele seria cearense. "José era um homem de fibra, forte igual ao nosso povo. Ele gosta do Ceará, por isso, vai dar muita chuva pra gente, sim. Tenho fé", acredita o aposentado Francisco Sobreira da Silva,74.
Chuvas
As chuvas de ontem atingiram 102 dos 184 municípios cearenses conforme dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
Chuvas acima de 50 mm ocorreram em 22 municípios localizados nas regiões Jaguaribana, Cariri e Sertão Central. Na Capital, foi registrado apenas 1.6 mm, até às 10h de ontem, terça-feira.
Outras cidades também apresentaram precipitações acima de 50 mm, são elas: Pedra Branca, Mombaça, Iracema, Milhã, Carius, Farias Brito, Várzea Alegre, Cedro, Baixio, Solonópole, Deputado Irapuan Pinheiro, Crato, Ererê, Icó, Umari, Quixeramobim, Lavras da Mangabeira, Viçosa do Ceará, Orós, Saboeiro e Acopiara. Apesar dessa chuva, as previsões da Funceme não parecem tão otimistas assim, reforçam o diagnóstico de chuva abaixo da média histórica.
Apesar da pouca chuva na Capital, não faltou emoção. A costureira Rosana Santos, 54, nasceu em Jaguaruana, deixou a cidade há 30 anos, mas sonha com dias melhores na sua terra. "Minha família passou o dia me ligando, avisando que tinha água", conta.
Catedral fica lotada para Missa dos Josés
Carpinteiros, pedreiros, arquitetos, ambulantes, comerciários, funcionários públicos, a maioria pais de família. Mas, qual a semelhança entre eles? Todos são trabalhadores cearenses e foram abençoados por seus pais com o nome de José. No feriado dedicado ao santo padroeiro do Ceará, centenas desses homens lotaram a Catedral Metropolitana de Fortaleza para acompanhar a Missa dos Josés.
Cerca de duas mil pessoas compareceram à Catedral Metropolitana para participar da celebração. Antes, muitos fiéis fizeram questão de parar por alguns instantes diante da imagem de São José. Na conversa silenciosa com o santo, pedidos e, sobretudo, agradecimentos por graças alcançadas ou, simplesmente, louvor ao padroeiro do Ceará.
O aposentado José Batista Costa Filho, de 78 anos, se considera abençoado. Devoto de São José, seu pai lhe deu o nome do santo. Ele seguiu o exemplo, tornou-se devoto e também batizou um de seus filhos com o nome de José. "É uma linhagem de fé", garante.
Dádiva
O engenheiro agrônomo José Flávio Barreto também compareceu à celebração. "É uma dádiva e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade carregar o nome do pai adotivo de Jesus".
A Missa dos Josés foi celebrada pelo padre holandês Brendan Colleman MacDonald, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - Regional Nordeste. No sermão, o religioso exaltou a figura de São José e seu papel primordial na história da salvação. Ele enfatizou a importância da intercessão do santo para alcançarmos graças.
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Postada:Gomes Silveira
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