Jerusalém O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que a Síria será responsabilizada por eventuais usos de armas químicas na sua guerra civil, e garantiu a proteção norte-americana a Israel contra o Irã.
Em sua primeira visita como presidente a Israel, Obama disse que solicitou uma investigação sobre as suspeitas de uso de armas químicas na Síria.
O presidente dos EUA, Barack Obama, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem tem relações conturbadas FOTO: REUTERS
Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem tem relações conturbadas, Obama manifestou ceticismo de que rebeldes sírios tenham usado armas químicas, e disse que haverá retaliações ao presidente Bashar al Assad caso o uso tenha partido das suas forças. "Temos sido claros de que o uso de armas químicas contra o povo sírio seria um erro sério e trágico", disse Obama em entrevista coletiva em Jerusalém.
"O regime de Assad deve entender que será responsabilizado pelo uso de armas químicas ou sua transferência a terroristas", disse. Obama também manifestou o desejo de que seja retomado o processo de paz entre palestinos e israelenses, mas não apresentou nenhuma nova proposta para isso, nem fez menção à ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, principal fator para a interrupção das negociações em 2010.
O presidente norte-americano disse que pretende escutar cada lado antes de determinar como avançar. Hoje, ele será recebido na Cisjordânia pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas. Obama passará três dias em Israel, e seu principal objetivo é relançar as relações com um precioso aliado, que se ofendeu durante o primeiro mandato de Obama por causa da sua pressão sobre Netanyahu para que abandonasse as obras em assentamentos, e pelo fato de não ter feito uma visita a Israel. Mostrando-se notavelmente mais caloroso com Obama, Netanyahu disse estar "absolutamente convencido de que o presidente está determinado a evitar que o Irã obtenha armas nucleares". No entanto, o líder direitista disse ter certeza de que Obama entende que Israel "não pode nunca ceder o direito de nos defendermos a terceiros, mesmo para o maior dos nossos amigos" - um sinal de que Israel não descarta uma ação militar unilateral contra o programa nuclear iraniano.
"Hoje, temos ambos o direito e a capacidade de nos defendermos", disse Netanyahu. Obama - cujo governo no passado tentou discretamente dissuadir Israel de agir unilateralmente - disse que Netanyahu está "absolutamente certo" ao citar o direito à autodefesa.
Afirmou ainda que os dois países têm avaliações semelhantes sobre o desenvolvimento nuclear do Irã, mas observou que "há tempo para resolver isso diplomaticamente". "A questão é se a liderança iraniana irá aproveitar essa oportunidade", acrescentou o presidente.
Diplomacia
Obama chegou na manhã de ontem a Israel para visita inédita enquanto ocupa o cargo. Ele foi recebido no aeroporto internacional Ben-Gurion por uma comitiva do governo que incluiu o presidente de Israel, Shimon Peres, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro das Finanças recém-eleito, Yair Lapid. Em discurso, Peres deu as boas-vindas ao presidente, notando que "o sonho americano deriva da Bíblia" e "o espírito israelense é inspirado pelo excepcionalismo americano".
Após os discursos de chegada, Obama foi encaminhado para a inspeção de uma das baterias do sistema de defesa Iron Dome (domo de ferro), construído para interceptar mísseis disparados contra Israel. A defesa contra ameaças externas, em especial o Irã, será um dos pontos discutidos durante a visita.
País pede à ONU investigação
Nova York A Síria pediu ontem ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que seja feita uma investigação independente sobre um suposto ataque com armas químicas por "grupos terroristas" perto da cidade de Aleppo, disse o embaixador da Síria na organização, Bashar Ja´afari.
"O governo sírio pediu ao secretário-geral das Nações Unidas para formar uma missão técnica especializada, independente e neutra para investigar o uso de armas químicas contra civis na terça por grupos terroristas que operam na Síria", disse a jornalistas Ja´afari .
O governo da Síria e os rebeldes acusaram-se mutuamente de lançar o ataque químico mortal na terça-feira, mas autoridades dos EUA e da Europa dizem que não há evidências indicando que tenha sido um ataque desse tipo. Se houver confirmação, seria a primeira vez em que esse tipo de armas teria sido usado no conflito que já dura dois anos.
Surpresa
O ditador sírio, Bashar al Assad, fez uma visita surpresa ontem ao centro de formação de Belas Artes em Damasco, informou a página da assessoria da presidência no Facebook.
"O chefe de Estado chegou para participar de uma cerimônia organizada no Centro de Educação para as Belas Artes pelo Ministério da Educação em homenagem aos pais dos estudantes mortos em colégios por causa de atos terroristas", afirma a página, que posta fotos da visita. O centro de mil metros quadrados é especializado na formação para professores, padres e alunos. A escola fica na zona Tijara, no leste de Damasco, perto do bairro de Jobar, testemunha há meses de confrontos entre as forças governamentais e rebeldes.
A visita ocorre em meio à polêmica sobre o uso de armas químicas no conflito do país, que já dura mais de dois anos.
O governo de Damasco mandou duas cartas à ONU, nas quais acusa os rebeldes do ataque com armas químicas na última terça-feira em Aleppo, enquanto a Coalizão Nacional Síria pediu ontem uma investigação internacional das agressões que, segundo eles, foram cometidas pelo regime de Assad.
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Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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