A estiagem que castiga 177 dos 184 municípios cearenses afeta também a Capital. Apesar de não haver, por parte da Prefeitura, um monitoramento das lagoas, o problema pode ser sentido pelo baixo nível de água dos mananciais. A exemplo da Lagoa da Precabura, entre Fortaleza e Eusébio. O local é conhecido pela vista deslumbrante das carnaúbas que ficam submersas. Com a falta de chuva, o cenário é desolador. O chão rachado em contraste com o que resta de grama verde é o sinal de alerta.
Na Lagoa do Opaia, que antes servia de espaço para lazer, quase não resta água
Do outro lado da Avenida Maestro Lisboa, via que liga a Avenida Washington Soares ao Porto das Dunas e recentemente passou por obras de duplicação, fica a Lagoa Redonda. Lá, ainda existe resquício de água, em decorrência do movimento das marés. Na tarde de ontem, dois trabalhadores autônomos aproveitaram o dia de folga para pescar.
Dione Vilhena Costa, 35 anos, disse que nunca viu a lagoa em situação tão crítica como a atual. "Sempre seca, mas dessa vez foi demais. Está só na pedra", lamenta. Para que a situação não chegue a esse ponto novamente, ele sugere que o poder público escave o local uns dois metros para que o nível da água não torne a ficar tão baixo.
"Quando a lagoa estava cheia, era como se ela fosse uma mãe para os moradores. Tinha muitos peixes", afirma Carlos André Fonseca, 36 anos. A atendente Geoclécia Sousa, 22 anos, conta que já tomou muito banho na Lagoa da Precabura, enquanto o seu pai pescava. Ela diz que sente uma tristeza profunda quando vê a situação crítica em que o manancial se encontra. O que se comenta, acrescenta, é que, depois que a Avenida Maestro Lisboa foi duplicada, um lado da lagoa secou, o que foi agravado pela falta de chuva.
Lagoa do Opaia
No bairro Vila União, situação semelhante vive a Lagoa do Opaia. Um de seus sangradouros, que chega à Avenida Borges de Melo, no cruzamento com a Linha Férrea, praticamente toda a água desapareceu. Com isso, o local, que antes servia de espaço de lazer e pescaria para moradores, só acumula areia e sujeira.
Populares contam que, há cerca de 15 dias, uma limpeza foi feita na área. Ainda assim, muita sujeita e esgoto se concentram. Como o nível da água do manancial não é monitorado, a Prefeitura não soube especificar a real situação da Lagoa do Opaia.
Jeovah Meireles, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que a universidade vem avaliando esses ecossistemas urbanos, principalmente as lagoas, que vêm sendo contaminadas, e a mata ciliar, que vem sendo retirada. "Fortaleza tem um problema sério de saneamento básico, 50% do esgoto da cidade vão para as lagoas e, consequentemente, chega no lençol freático. Existe, ainda, uma proliferação de aguapés e algas que se acumulam no fundo das lagoas", salienta Meireles.
Ao redor dos mananciais, acrescenta o especialista, se generalizou a impermeabilização do solo. E como essas lagoas estão cheias de lixo e matéria orgânica, vai evoluindo para se ter uma menor quantidade de água a cada ano que se passa. Meireles alerta que é preciso fazer um estudo sobre o fundo das lagoas, um trabalho de reflorestamento e analisar a problemática inserida nas bacias hidrográficas, como os rios Cocó, Pacoti e Ceará.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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